Kharin,
Reino de Depruff, Cidade Éstie
Quando
a vi brincando com as pedras eu tive certeza que ela era mágica, ao seu redor
as pedras dançavam no ar. Sua mãe parecia conhecer o dom de sua bebe porque não
se importava de vê-la assim. Pedi que os guardas ficassem nos coches e fui
sozinha falar com a senhora.
A
me ver ela pôs a cara um pouco “fechada”, supus ser o fato dela não receber
muitas visitas. Agarrou sua bebe nos braços e chamou alguém de nome Duard.
-
Senhora. Tranquilize-se. – tentei amenizar. – não sou uma ameaça, sou
representante do reino de Dana, vim a uma missão real.
Enquanto
me olhava desconfiada, o tal Duard chegou. Alto, corpo forte e contextura
larga. Seu rosto demonstrava desconfiança e inquietude.
-
Em que posso ajuda-los. – Disse o rapaz sem muita cerimonia.
Aproximei-me
e retirei o cabelo que caia por meu broxe para que eles pudessem ver que sou
representante de Dana.
-
Vim em uma missão muito importante e delicada. – Inspirei, parece que o clima
tenso chegou a afetar-me.
-
Reconheço este broxe e também este bracelete. – Disse a senhora com certo
desdém. – É uma maga, vinda da capital de Depruff. – Cruzou os braços. – Só não
intendo o que quer conosco, povo humilde e sem muito para oferecer.
Eu
percebi que Duard e a senhora se entreolharam.
-
Antes de tudo quero que saibam que não sou como os de Erion, como Zanata. Eu
sou Marta, e não faria nada que os prejudicasse, ou que fosse contra a sua
vontade. – Olhei para ambos procurando um traço de confiança. – Meu intuito não
era parar aqui, até o momento em que percebi que existe algo que estou
buscando.
-
Você veio por Winnie. – Disse o rapaz enraivecido. Mas a senhora lhe tocou os
braços para que se acalmasse.
- Está correto. – dei uma pausa. – se a garotinha
se chama Winnie, sim, eu vim por ela. Neste ano sete feiticeiros nasceram; seis
são frutos dos que escolheram Dana para servir, e um nasceu nas dependências de
Erion. Então tememos que Erion venha pelos que estão desde lado e os
sequestrem. Por isso resolvemos recolhê-los para o castelo na capital e cuidar
da educação de cada e ensiná-los a serem grandes feiticeiros. – Dei outra
pausa. – é por isso que viemos por Winnie.
A senhora apertou ainda mais a sua pequena enquanto
beijava-lhe a cabeça e olhava para Duard.
- Eu sei que não é uma decisão fácil, mas tente
entender, se nos vamos pode ser que imediatamente vocês sejam visitados por
Erion, e além de tomar-lhes a criança ele matará vocês. – Olhei a reação de
ambos, mas estavam inexpressíveis. – Se quiser senhora, você pode conversar com
seu marido e então tomarem uma decisão.
Ela então me olhou espantada. – Não é meu marido, é
meu filho. – Parece que a afirmação a feriu. – Entrem, vou preparar as coisas
da menina.
- Mas mãe! – Interveio Duard. – Ela a levará de
nós.
- Melhor estar no seio da rainha no que do louco
Erion meu filho. – Disse a mãe resignada.
Logo ela entrou e pediu para que seu filho fizesse
um chá. Convidou-me para sentar e cuidar da criança enquanto ela preparava suas
coisas.
Levantei-me e a segui, eu estava com a Winnie nos
braços. A casa era humilde, provinciana e rural. Não tinha muito que arrumar, o
que a senhora na verdade estava fazendo era despedir-se.
- Se me permite. – pedi gentilmente para perguntar.
– O que houve com seu marido?
Ela apertou fundo uma das roupinhas do neném e
disse.
- Há um tempo, Erion passou com seus guerreiros,
pareciam estar voltando das aguas eternas, porque cantavam com uma felicidade
sem igual. Quando passaram pela fazenda viram um trabalhador e seu filho
tratando as terras geladas para o cultivo da uva. E sem nenhuma explicação eles
o mataram. – Ela começou a derramar lágrimas e sua voz começou a turvar-se. –
Deixaram-me grávida de Winnie. Por sorte não mataram a Duard que foi obrigado a
ver horrorizado. – Seu choro superou sua voz. – A morte de seu pai. Ele me
dizia que Erion ria junto aos guardas e que aqueles que obedecem a traidora da
Dana merecem castigo piores. Também disse que Duard deveria começar a adora-lo,
senão ele voltaria para destruir o que sobrou.
Foi então que eu entendi o porquê da resistência, é
uma família marcada pelas atrocidades de Erion.
A senhora e Duard deram um beijo de despedida de
Winne e eu a coloquei em meus braços.
- Ela será bem cuidada. – os compadeci. – não se
preocupe.
Então caminhei em direção ao coche para voltarmos a
Dana. Fiz uma prece em silencio para que Misgijai conforte o coração desses
dois seres humanos e que os proteja contra todo tipo de adversidade. Entreguei Winne
a uma ama de leite, que agora já estava com ela e com Charles. Contando com
Henrique que também já se encontra instalado, me faltariam mais três crianças. E
para nossa sorte as três crianças se encontram em Dana, que é o lugar para onde
estou levando Charles e Winne.
O caminho foi tranquilo, sem muitos percalços,
aliás, as rotas de Depruff são sempre tranquilas aqui pelo sul até a capital do
reino, por ser um clima gélido, as pessoas se preocupam mais consigo mesmas e
não tem necessidades de roubar ou cometer outra atrocidade, porque a garantia
de sua sobrevivência estará vinculada ao seu próprio esforço de trabalho. Arriscar-se
a roubar poderia significar seu próprio desvelamento. Em contrapartida, seguir
do caminho de Dana até o norte, os traçados são mais perigosos, porque de ai
estamos nos aproximando de Erion, e este não vê empecilho nenhum em roubar ou
matar por qualquer motivo, ou até mesmo sem precisar ter um motivo, como o que
aconteceu com a família de Henrique, ou até mesmo de Winne.
Assim que cheguei à capital, me apresentei à
rainha. E mostrei as duas crianças que encontrei sãs e salvas.
- Muito bem Marta. – Me felicitou a rainha. – Não espera
menos de você.
- Muito obrigada vossa majestade. – sorri. – agora estamos
seguros de que Erion não porá a mão nas outras crianças.
- Excelente. – a rainha estava muito contente. – as
outras três crianças estão aqui mesmo em Dana, e eu já me encarguei delas
enquanto você viajava.
A rainha fez menção para que eu a seguisse. Então a
acompanhei junto da ama de leite com as duas crianças. Logo entramos num grande
salão, que parecia muito a um berçário. Aí estavam outras amas de leite e três
lindas crianças.
- A loira de olhos claros e sardas é Sofie Iyel,
filha de um nobre guerreiro. O de cabelo encaracolado e pele parda é Niel Zen,
também filho de um guerreiro. E a linda bebe de cabelos castanhos claros, olhos
mel e pele morena clara é Tainá Müller, filha do duque de Depruff.
- Parece que conseguimos rainha. – Não pude conter
meu sorriso e minha excitação.
- Você tem um nobre trabalho agora Marta.
- Pode ter certeza que farei delas grandes
personalidades e grandes magos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário