Sobrevoando
a Somália, fomos surpreendidos por um golpe que não pudemos ver de onde veio
mas dividiu o transporte e a parte que se separou de Carig se desfez, estivemos
em queda livre. Eu, Michele e Clarisse, caímos no início de um deserto.
Aos
poucos tentando nos recuperar da queda, sentimos que a areia vibrava.
-
O que está acontecendo? – Perguntei afoito.
-
Estamos no deserto da Somália. – Disse Clarisse. – O que é comum nessa região?
-
Ó não! – Se ouviu em uníssono as duas. – Manticores!
-
O que é isso?
-
Rápido! – Disse Michele. – Sem tempo Edu.
Estávamos
no início do deserto, próximo a um rio.
-
Se seguirmos o rio Shebelle alcançaremos a Etiópia e de aí o castelo Maia. –
Disse Clarisse.
Iniciei
andando, mas logo percebi que as meninas corriam, estavam desesperadas, e
ninguém me explicava o que era um Manticore. As aguas do rio aos poucos foi
assumindo outra coloração, mais arroxeada. E um cheiro de produto de limpeza,
desses que encontramos na Terra.
-
Por que tanto medo assim? – Perguntei com mais ênfase.
Continuamos
correndo.
-
Eles só atacam em bando, e pelas vibrações no solo, são vários. – Disse
Clarisse.
-
Por que no subsolo? – Perguntou Michele. – Se estivessem com fome estariam
sobrevoando.
-
Talvez despertaram com a nossa queda. – Rebateu Clarisse.
E
pela expressão que elas tinham, eu também comecei a apavorar. E eu sei que
talvez soe como falta de confiança, mas estamos sem os mais poderosos do grupo.
Lívia, Carig, Aysha e Jakel. Talvez por isso estivessem desesperadas.
As
vibrações foram aumentando de intensidade, e se tornaram pequenos abalos
sísmicos. Logo subiram cinco Manticores, criaturas fenomenais, o corpo como de
leão, com dentes muito afiados, as asas de morcego gigantescas, espinhos do
alto da cabeça até o final do tronco em um fila única e uma cauda como de
escorpião.
Nos
cercaram ferozmente.
-
O que temíamos aconteceu – Suspirou Michele.
De
repente a chuva de espinhos caiu sobre nós, todos os Manticores lançaram a
partir de suas jubas. Por sorte Clarisse
nos protegeu com seu cosmo.
-
Um só espinho e é capaz de deixar-nos muito doentes. – Disse Clarisse. –
Precisamos evitar o máximo.
-
Eu não tenho nenhum escudo. – Eu não tinha como me proteger.
-
Eu te cubro os dois, ficarei para protege-los, enquanto você e Michele façam o
que for possível para afastá-los. – Finalizou Clarisse.
Clarisse
foi inflamando o cosmo que a envolvia e também passou a envolver-nos, foi se
tornando tão crescente que uma forte luz se fez no céu, a constelação de Cão
Menor lançou um raio que se transformou em uma armadura de bronze, protegendo várias
partes do corpo de Clarisse.
-
Você evoluiu. – Disse Michele toda contente. – Agora é uma Cavaleira de Bronze.
E
não foi só o ganho da armadura, Clarisse ficou nitidamente mais poderosa, o seu
cosmo que antes a envolvia, ela decidiu que já não era mais necessário e
começou a nos dar mais proteção.
-
Carig vai surtar! – Sorri em prol da minha amiga.
Os
espinhos dos Manticores já não podiam nos acertar. Eram defletidos pelo cosmo.
Michele
criou um rabo como de escorpião em si mesma e com ele atirava dardos
envenenados contra as Manticores que se defendiam com suas asas de morcego.
-
Se trouxemos eles para o chão. – Argumentei. – Eu poderia lutar.
Clarisse
criou um apêndice a mais no seu cosmo, o que claramente a deixou cansada. Mas com
esse ato ela agarrou um Manticore e o trouxe ao solo. Foi minha oportunidade. Corri
em sua direção, quando abriu a boca para rugir, saltei, visualizei uma gama de
espinhos nas costas e com a espada cortei alguns e então me posicionei em cima
deles. Não havia me tornado com Cavaleiro-Mor atoa. Eu sei montar!
No
início ele estava rebelde, mas aos poucos foi se sujeitando, ali em suas
costas, seu ferrão não exercia muito controle. Michele tratou de domá-lo
magicamente para tornar o processo mais fácil para mim. Agora em cima de um, eu
poderia finalizar os outros do alto.
-
Globo de Luz! – Gritou Michele disparando um lampejo luminoso que dificultou os
frágeis olhos dos Manticores. Sem precisar me proteger, Clarisse passou a
levitar com o auxílio de um apêndice, e com outro a atacar os Manticores cegados.
Do
alto, eu e Clarisse aos poucos fomos derrubando um por um. E de baixo, Michele
atacava a longa distância com dardos venenoso e globo de luz. E assim fizemos
com que os Manticores voltassem para debaixo da terra. Com exceção desse que
agora estava domado.
Já
no chão, gargalhamos de tanto rir. Até que Michele fez uma expressão tristonha.
-
O que houve? – Eu já conhecia como se comportava a Michele, conhecia suas
expressões faciais, ela é muito autentica.
-
Como será que está Nay. – E só agora notei a falta do coelho dela.
-
Não diria que Carig e Lívia o esteja cuidando. – Mas tenho certeza que Aysha e
Jakel sim.
Então
desci do Manticore e dei um abraço nela. E pela primeira vez senti um perfume.
Clarisse tossiu ao final, e percebi que o abraço tenha durado mais do que eu o
senti. E o rosto de Michele estava indecifrável.
-
Acho que se eu cortar mais dos espinhos podemos ir voando. – Sugeri as meninas.
-
Não. – Reagiu Michele. – Eu posso remove-los com magia, será indolor.
Ela
foi se aproximando lançando uma aura de amabilidade. O Manticore no início
parecia arredio, mas logo se entregou. Com as mãos ela tocava os espinhos e
recitava encantamentos em uma outra língua, e os espinhos se soltavam e caiam. Ela
deixou apenas os da juba e da ponta da cauda.
Logo
montamos na criatura, seguimos o rio Shebelle, passamos pela cordilheira Ahmar
e logo atrás estava o belíssimo castelo Maia.
O
restante da equipe nos esperava na porta. E a primeira atitude de Michele foi
abraçar ao Nay. Sem muitas delongas, entramos no castelo. A magia era sólida,
os raios de luzes, bibliotecas extensas, pisos em luz sólida, as paredes, as
decorações eram de variadas cores de luz sólida. E há escritos nas paredes com
frases de Neglight a cidade da luz e de Lussúfuri o mundo de Fjyoho, que está
intimamente ligado a essa família. E os que trabalham no castelo o faziam com
orgulho de servir a eles, que são considerados os maiores heróis deste mundo.
