quarta-feira, 2 de março de 2016

Marta Najíla

Kharin, Reino de Depruff

Sou umas das mais velhas do Reino, junto com Zanata, Dana e Erion. Tenho cento e um anos, mas não conheço outro lugar senão o reino gelado de Depruff, assim como o eterno embate entre Dana e Erion, que claramente se amam, mas ficaram longe por muito tempo para que possam voltar.
Ano passado nasceu Henrique, um feiticeiro prodigioso que Dana trouxe para criar após um ataque que ceifou a vida dos pais do menino. Ele é de família de camponeses, vivia um pouco mais ao norte, próximo à divisa com a parte de Erion. Quando os sete feiticeiros nasceram eu pude sentir a energia de cada um deles, assim como estou segura que Zanata também o sentiu. Então contei a Dana o que estava acontecendo, e disse a ela que a localização, e também contei que seis estavam do nosso lado do reino e somente um do lado de Erion.
Como voltava da falida tentativa de fazer Erion desistir dessa batalha sem sentido e havia deparado com o casamento dele com a bruxa Zanata, passou pelo lugar e por sorte salvou o menino de ser ceifado. Então me pediu para buscar as outras crianças e brinda-las proteção contra os guerreiros de Erion.
Todos possuem a mesma idade, os magos em Kharin possuem essas características nos reinos, os feiticeiros nascem por ciclo, a primeira vez foi eu e Zanata, e agora nasceram mais sete. Mas parece que ainda sinto uma energia um pouco mista, talvez ainda exista mais um que tenho que investigar.
Assim que Henrique Valbér vocês já conhecem, vou apresentar-lhes os demais.
O Reino de Depruff da parte de Dana é dividido em três cidades, a Rainha Dana decidiu que a medida que cresce a população as construções das cidades seriam planejadas, porque se trata de um Reino onde a maior parte do ano é fria, com planejamento podemos melhor manter o plantio e a colheita para todos. Então temos a cidade de Dana (homenagem à rainha e fundadora da cidade) que é a capital do reino, é onde vive eu e Dana e mais as pessoas encarregadas de auxiliar nas tarefas domesticas e protetorado do reino, só este ultimo já conta com sessenta e três guerreiros mais suas esposas e filhos, com um total de cento e oitenta e nove pessoas na Cidade Capital Dana. A segunda cidade é Éstie, aqui está concentrado mais os mercadores e senhores de segunda classe social, como cantores, instrumentistas, atores, etc. Num total de cinquenta e seis pessoas, uma cidade pequena e organizada. E na terceira cidade está concentrada a plebe, os camponeses, que sobrevivem da venda de animais e do plantio, que às vezes chega a ser escasso por não aguentarem o clima frio do reino. Esta cidade tem o nome da terceira letra do nome do reino, chama-se Peryl.
Agora que explicado as cidades do Reino posso dizer a vocês com mais exatidão onde se encontra os feiticeiros que nasceram e vocês também poderão se dar conta das condições em que cada um vive. O Henrique veio de Peryl, próximo a cidade de Erion. É o único deste lugar, ainda que seja ai que eu sinto que existe outro se aproximando. A cidade de Éstie é mais próxima da fronteira do sul do Reino de Depruff, porque assim facilita as rotas comerciais com as cidades mais próximas como Urak. Quando me tocou ir à procura de feiticeiros nesta cidade, já fui sentindo a energia, dois mais se encontrava aqui, e os outros estariam na capital mesmo.
A cidade é parecida com a capital, à diferença é que aqui os comerciantes estão em maior proporção nas ruas, e muitos estrangeiros podem ser vistos, uma particularidade de Depruff é o alto teor de diamante, próximo à fonte mágica se produz essa pedra muito comercializada, principalmente pelas suas propriedades mágicas, e diferente de como é visto no resto de Kharin, as daqui são mais poderosas. Eu e Zanata temos essa pedra em nossos anéis, e à medida que nos fortalecemos vamos ganhando novas fabricações para fortalecermos cada vez mais. Dana já separou as pedras para cada feiticeiro que nasceu este ano passado.
Encontrar o feiticeiro não foi difícil, bastou seguir sua energia mística, logo que identifiquei de onde vinha, estabeleci a conexão. Ele se chama Charles Mainson, filho de um patrício de Éstie, um rico comerciante. Seguida de dois guerreiros enviados comigo por Dana fomos até o lugar onde vive o rapaz.
Tocamos a porta e saiu uma linda senhora que logo reconheceu a alcunha real e nos convidou para entrar. Então mandou seus empregados trazerem pão de trigo e sucos diversos, também vinhos.
- O que traz a grande Maga Marta em minha humilde residência?
Após me servi de pão e vinho, fiz uma breve pausa mentalizando como aborda-la.
- Senhora Mainson. Eu vim até vocês porque seu filho está predestinado a alcançar grandes potenciais.
O rosto da senhora se avermelhou de alegria, saber que tem um filho com dons é uma felicidade incalculável. Então continuei quando vi o que o “terreno” estava propicio.
- O que quero dizer é que por ordem da Rainha, gostaríamos de levar seu filho para viver conosco no castelo, para que eu o possa treinar desde jovem para ser um grande mago, e lute por nossa nação.
A noticia não a agradou muito, ela não tinha ideia de que isso poderia acontecer, é o primeiro filho que ela tem, e foi sucedido depois de duas garotas. Ela levantou calmamente e foi até seu filho, olhou em seus olhos, e ele sorria feliz ao estar com a mãe. Com apenas um ano ele já balbuciava algumas palavras, cabelos claros acinzentados assim como os olhos, que pareciam à neve alva de Depruff.
- Mas e meu marido. – Disse ela com o olhar murcho entristecido.
Esperamos com ela e seu filho até chegasse o patrício, exatamente como ela, ele foi capaz de reconhecer a nobreza de dar seu filho para a Rainha, e que como eu ele fosse mais bem educado e aprendesse corretamente a arte da magia. Também confessou que tinha medo que Erion viesse por ele o levasse a força.
- Pode estar seguro que ele terá a melhor educação de todo reino. E vocês também poderão visita-lo sempre que quiser, o castelo estará aberto para vocês. – Disse ao conforta-los.
Então tomou o menino nos braços. Os pais deram um beijo de despedida, e a mãe chorou num misto de alegria e tristeza ao apartar-se do filho.
E seguindo para a capital do reino, Marta ativou sua sensitividade e mandou parar o transporte próximo a uma fazenda. Seguiram alguns minutos caminhando até encontrar longe uma casa construída na montanha, com o telhado decorado com gramas. E uma linda garotinha de um ano brincando com as pedrinhas no solo enquanto sua mãe lavava a roupa suja da família.


Continua...

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