sábado, 12 de março de 2016

Private Party

Nord, arredores do Reino da França

- Há quanto tempo você abandonou sua casta? – Era a única pergunta que me vinha à mente.

Ele sorriu despreocupado.

- Eu fui transformado por acaso, por um acidente e nunca cheguei a ter um contato maior com meu Sire. Com o passar dos anos eu fui conhecendo a Milícia e toda a organização vampírica. Porque estava cometendo delitos, como matar as pessoas sem regras, alimentando-me.

- E há quanto tempo você foi transformado?

- Já faz doze anos. – Seus olhos pareciam recordar a cena. – Desde este então, eu vivo fugindo.

Estávamos caminhando para a França, e eu envolto de pensamentos sobre ele, e ele com um rosto totalmente despretensioso, como que seguia o curso.

- Percebi que ainda não sei seu nome. – Rompi o silencio. – Eu me chamo Alberto, sou Toreador.

- Pois bem. – Ele sorriu novamente. – me chamo Jose, um Caitiff. A propósito, você sendo de casta, porque segue a um renegado?

Não era uma pergunta difícil de responder, eu fugia porque já não queria mais fazer parte de todas as regras e lei da Camarilla. Talvez porque eu esteja em busca da verdadeira natureza do ser vampiro, a solidão. E foi exatamente isso que eu disse a Jose.

- Se eu te disser que nunca me interessou fazer parte de uma casta, talvez você não acredite. Mas sou muito bem resolvido sendo assim. A parte que viajar pelo mundo é tão excitante. – Então fez uma pausa e logo continuou. – Mas também é porque eu nunca vive com o muito. Por isso estranho o fato de você querer abandonar tudo.

- Conheço muitas lendas que povoam o imaginário vampírico. – pausa para pensamentos. – Talvez eu só queira averiguá-los.

Seguimos um tempo em silencio. Atentei mais aos traços de Jose, de estatura mediana, a pele branca ligeiramente pálida, olhos cor de mel, e o cabelo levemente cumprido. Levava no dedo um anel mágico cravado em dois símbolos o que nos diz de que se trata de um bruxo, e vampiros e bruxos ao mesmo tempo é algo muito raro em nosso mundo, necessita ter uma inteligência sobre-humana. Já estamos a algum tempo caminhando e não senti sua necessidade de alimentar-se, o que me mostra que ele pode aguentar muito tempo sem precisar matar. Só ainda estava em duvida quanto a sua humanidade e os seus poderes. Para poder sobreviver doze anos como um Caitiff ele precisa ter muito poder e muito autocontrole. E talvez isso me assuste um pouco, porque não conheço muito bem com quem eu estou andando.

Logo estávamos nos acercando a uma fazenda, estava tarde da noite e precisávamos encontrar um lugar para refugiarmos, pois logo sairia o sol e seria nosso fim.

- O que acha de acamparmos aqui Alberto? – Disse Jose rompendo o silencio.

- Acho que é nossa única opção. Talvez nós não precisemos matar, eu posso hipnotiza-los.

Ele ficou surpreso

- Vejo que possui muitos poderes na manga Toreador. – És um psiônico?

- Exatamente. Mas não revele a ninguém, eu odiaria fazer parte da milícia.

- Tranquilo. Também tenho meus pequenos segredos. – Então ele piscou o olho para mim.

Adentramos a propriedade e nos deparamos com empregados. E eles já estavam hipnotizados.

- Não estamos sozinhos disse Jose. – E eu consenti com a cabeça. Sorrateiramente caminhamos até o salão principal do casarão, e então fomos surpreendidos por um vampiro.

- Sejam bem vindos. – Disse um senhor alto, de robe de luxo, ar nobre e vestimentas refinadas. – Logo irá amanhecer, e é bom que estejamos todos juntos. – Logo sorriu receptivo.

Era um verdadeiro banquete, havia três nobres senhores se alimentando de vários empregados e sentados no sofá estavam os donos da propriedade, hipnotizados e obrigados a tomarem vinho e ver toda a cena de morte.

- Estão condicionados a despertar como se tudo fosse um sonho. Os empregados estarão estirados em suas camas logo quando voltar a escurecer recuperando a perda de sangue proporcionada por nós. Logo ninguém saberá de nada que aconteceu, assim que aproveitem, busquem seus tipos sanguíneos e se deliciem. – Disse outro nobre, de estatura mediana, olhos negros ligeiramente avermelhados pelo consumo massivo de sangue, pele morena clara e um sorriso diabólico.

E o terceiro veio em nossa direção com dois copos de sangue e um olhar convidativo. Provei meu drink e esta deliciosamente enriquecida com álcool. Parece que a festa para mim também ia começar.

- Sou William, um Tremere. – e a igual que Jose, eu pude ver no seu dedo o anel de bruxo. Tremere são temidos por seu alto poder mágico. – O que os recepcionou se chama Julius, é um Gangrel, vive aqui pela região, e foi o anfitrião desta festa.  E o moreno é Zenir, completamente insano, é um vampiro Malkaviano, a ideia de hipnotizar os empregados foi dele, para que tenhamos acesso à bebida até o fim da estadia.

Logo o álcool presente no sangue das vitimas e nos copos começou a nos fazer entorpecer, e logo amanheceu, fechamos as janelas antes da entrada dos raios de sol. E quando tudo voltou a escurecer, a festa continuou. Em um dado momento eu vi a Zenir no chão metendo seu membro rígido numa empregada com uma velocidade vampírica, tão rápido que podíamos escutar suas pernas deslocarem de suas cadeiras, e ela urrava num misto de dor e prazer.

Julius com seu poder de metamorfose havia transformado num cachorro grande e negro, e neste estado corpóreo ele realizava sexo com um empregado, moreno e baixo que hipnotizado não podia negar-se a ceder seu ânus nessa perversão sexual. Eu já havia visto muitas coisas bizarras num mundo vampiro, mas nunca uma festa privada dessa alcunha.

E os donos da casa seguiam tomando vinho, sentados no sofá. William só visualizava tudo e sorria alegremente, alguns momentos nos miravam com a intenção não verbal de dizer para que divirtamos. Jose se alimentava, não por fome, mas por prazer. E eu a igual que o Tremere, só queria observar.

Logo quando escureceu chegou a Milícia Vampírica. Jose me pediu que fugisse com ele, então atendi ao pedido, abandonamos os vampiros bêbados e corremos. Mas fui interceptado por Dancã. Ele me olhou fixamente nos olhos e me disse que se eu fosse, seria como Jose, um Caitiff. Lembrei de que Dancã uma vez me abandonou, então psicoportei de seus braços que agarravam forte ao meu e apareci ao lado de Jose. Estávamos novamente na floresta, só que mais próximos da França.


Nesta noite nos entregamos; talvez a bebida ou a excitação de estar fugindo nos levou a isso. Quando percebi nossos lábios estavam colados, numa velocidade inumana nos desnudamos, corremos os lábios por cada parte do corpo e nos adjudicamos ao desejo e depois de três horas de contemplação, decidimos que tínhamos que ir. Levantamos e seguimos para a França. 

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