Kharin,
Reino de Depruff
Os
bebes estavam sendo bem tratados e eu os estou ensinando de maneira lúdica como
aprender magia. Cada apresentando particularidades impressionantes, a Sofie
parecia ser encarnada do Reino, suas expressões geladas e o clima literalmente
eram mais frios ao seu redor, então fiz algumas anotações de como seria seu dom
num futuro.
O
Niel tinha a capacidade de encantar objetos a maneira que ele imaginava, às
vezes segurando um chocalho ele a fazia pegar fogo sem se queimar ou fazer
queimar o objeto e era assim que este bebe se divertia.
Tainá seu poder é algo relacionado à energia,
porque ela moldava seus cabelos e os faziam gerar um tipo de energia roxeada, o
mesmo podia passar em qualquer parte do corpo, mas por se tratar de um bebe
talvez ela encontre mais divertido o cabelo, e por vezes é preciso deixar um
pouco isolada para que não machuque aos outros bebes. O engraçado é que a
energia tem a forma física da parte do corpo que se desprendeu.
O patrício Charles Maison tem poderes adaptativos,
ele consegue moldar sua forma a o que ele imaginar, como é um bebê, às vezes vemos
xicaras gigantes no meio do salão de treinamento, às vezes ele se transforma em
algum outro bebê e ai vemos duplicatas. Claro que a transformação não é
completa e sempre vemos seus cabelos acinzentados como característica marcada
de sua transmutação.
Uma diferença peculiar se faz necessária, um
feiticeiro é o ser que possui um dom mágico nato, que é o que eu estou
mostrando de cada bebê, o intuito deles estarem aqui na capital é para ampliarem
essas características e descobrirem a sua forma mágica e seu caminho mágico
para então desenvolverem e se tornarem magos, e ai poderem utilizar varias
formas e caminhos mágicos, não estar limitado à característica principal. Neste
mundo existem também os bruxos, como eu, como Zanata, que pela nossa inteligência,
nos é concedida poderes mais devastadores, com treinamento os bebês também
poderão tornar-se bruxos, quem sabe até mais como Ondorins.
A Winnie o poder dela estava claro desde o
principio, acredito que será a única usuária de poderes psíquicos de toda
Kharin que eu conheço, a telecinésia dela é marcada, ela levanta os objetos
apenas mirando-os, às vezes tenho que cuidar porque ela faz isso com o pobre
Henrique também, e se diverte muito ao fazer.
E por ultimo temos o Henrique, o que foi salvo por
Dana nas fronteiras de Erion. Este é um bruxo nato, tem poderes variados mais
ainda disformes, foi agraciado pela deusa pelo dom e pela inteligência, às
vezes vejo traços de luz, outro de trevas, às vezes de fogo outra vez de agua, às
vezes do ar outras vezes da terra. Ele passeia pelos polos opostos, e uma vez
fui surpreendida por encontrei em seu berço uma varinha mágica provavelmente trazida
pela deusa Misgijai que o agraciou com o dom da bruxaria.
Estavam os seis muitos contentos e adaptados a vida
no palácio de Dana e eu também por tê-los por perto. Eram seres mágicos como
eu, e erámos poucos com o advento dessas crianças tudo mudou.
Outra coisa que se fez mudança foi às visitas no
castelo, muita gente de diversas regiões vieram conhecer os novos prodígios,
principalmente os do Reino de Urak e Cyntaf. O primeiro é nosso vizinho
comercial. Em Urak existem mais de quatrocentos feiticeiros, e em Cyntaf mais
de mil, assim que recebê-los é sempre muito gratificante, por terem mais experiências,
eles nos ensinam como lidar com os dons mágicos, e se colocaram maravilhados
com as diferenças de dons que surgiram em cada um.
- Henrique parece ser um prodígio Marta. – Disse um
bruxo de Cyntaf. Alto, pele morena clara, com olhos e cabelos castanhos, nariz
afilado e uma pinta castanha no inicio da sobrancelha esquerda, e a boca fina
desenhada a pincel. Trajando um robe luxuoso azul escuro com raias negras simbolizando
energias místicas. E em seu dedo um anel mágico de tamanho doble, simbolizando
que ele é um bruxo e não um feiticeiro.
Eu então sorri e logo complementei.
- É um bruxo nato, seus poderes exacerbam aos
demais e ele pode manipular varias formas e caminhos, é uma de nossas
esperanças contra Erion.
Ele pôs um rosto intrigado quando pronunciei o
ultimo nome.
- Eu soube de algo. – Disse ele. – Que vocês
dividiram o reino em duas partes, e uma ficou com este tal senhor, Erion e uma
bruxa que possui a mesma idade que você.
- Sim, Erion, também é um bruxo, não nato, mas tem
poderes grandiosos e volta e meia ameaça nosso reino e também a Dana.
- Entendo, e porque vocês não contratam ou pedem
ajuda a Cyntaf ou até mesmo a seus vizinhos Urak.
- Dana acredita que a batalha é interna, e talvez
ela nutra ainda algum sentimento por Erion e isso a da esperança de que ele
possa mudar. – Então dei uma pausa para olhar as crianças e percebi que ainda
não sabia o nome dele, quando o busquei novamente ele estava com Charles no
braço, ele realmente parecia muito apreciar as crianças. – Percebi que ainda
não te conheço. – Logo sorri.
- Perdão pela falha, eu me chamo David Triguel, sou
de Cyntaf, capital. Você deve ter mais de anos, porque os novos ainda são
bebês. Bom, e eu? Eu sou um pouquinho mais velho, faço parte assim como essas
crianças da segunda geração de magos do meu reino, e deve ser por isso que me
apeguei tanto a eles, sinto como parte de minha própria energia.
- Uau, fiquei espantada. Cyntaf é o reino mais
antigo, onde surgiram os primeiros humanos de Kharin. E isso o que significa
exatamente em relação a sua idade? Quantos anos você tem?
Ele sorriu. – Ficou curiosa senhorita Marta? – a
palavra senhorita me deixou um pouco constrangida. – Eu tenho quatrocentos e
dois anos.
Mais uma vez fiquei espantada, aqui em Depruff
conseguimos viver com longevidade porque possuímos a fonte, mas e ele como
conseguiu atravessar tantos séculos.
- E qual o seu segredo? – Enfim perguntei.
- Só treino muito a resistência, os que nasceram
comigo naquela época já não vivem, no máximo chegaram há duzentos anos, mas eu
pareço ter uma resistência maior.
O tempo ia passando e nossas conversas foram se
colocando cada vez mais interessante, porque ele é alguém que esta aí há
quatrocentos anos, já deve ter visto muita coisa, incluso meu próprio
nascimento. Como estava tarde eu pedi para que ele dormisse em Dana, para que
assim pudéssemos conversar mais.
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