Nord,
Reino da França.
Eu estava muito envergonhado, mas,
Jose parece estar tranquilo, e desconfiei que não fosse a primeira vez que ele
tivesse se metido com um homem. Os pensamentos são muitos, mas depois que um se
torna vampiro, o senso de moralidade deixa um pouco de fazer sentido, e eu estava
feliz pelo que aconteceu, foi bem prazeroso.
- E o que pretendemos fazer agora
Jose? – Perguntei rompendo um pouco o silêncio.
Ele pensou um pouco e seguiu
apreciando a paisagem. Já estávamos próximos da capital.
- Sabe meu caro Alberto. Qual era
seu intuito quando resolveu seguir uma viajem comigo?
- Eu queria sair da minha vida de
regras e também para conhecer as artes que existem no mundo.
- Sabe amigo. A vida de um viajante
é despretensiosa, você segue a corrente que a vida te dá, não existe um plano,
você precisa se libertar das correntes e deixar as coisas acontecerem
naturalmente. Não tem sido bom tudo o que você passou? Ou já se arrepende da
escolha.
- Não estou Jose. – Arfei. – Nem um
pouco arrependido, têm sido os melhores dias da minha morte, é tudo tão cheio
de adrenalina.
- Então vamos, porque logo vai
amanhecer. E a noite em Paris é maravilhosa.
Jose parecia conhecer o lugar,
buscamos um clube exclusivo de vampiros. Aliás, França é um lugar totalmente
diferente dos outros de Nord, é um lugar futurístico.
O lugar estava infestado de
vampiros, e seres humanos sendo usados como alimento e diversão. A musica
saindo de caixas feitas de um material futuro. Dançávamos freneticamente e nos
alimentávamos com muito esplendor.
Logo conhecemos um vampiro, um
nosferatu, diplomático, persuasivo e horrendo. Veio acompanhado de duas garotas
humanas uma loura e outra morena.
- Olá! Veja se não são fugitivos. –
Então preparamos nossos instintos para fugir. A vida de um Caitiff tem pelo
lado ruim essa pendência, nem sempre somos bem vindos e temos que viver
fugindo. – Sou Alexander. E não se preocupem, não vim delatá-los, ao contrário,
a festa nesse clube termina cedo, quero convidá-los para um espaço mais
privado.
- E porque nós? – Perguntou Jose.
Ele dispensou as garotas por algum
momento e nos abraçou pelo pescoço.
- A técnica de dominação não é para
qualquer vampiro. – Então apontou para todos os seres humanos que aí estavam. –
Uma festa privada sem comida é horrível. Fugitivos geralmente dominam a arte da
hipnose, e a convidativa serve para que vocês nos proporcionem o maior número
de seres humanos. Deem uma olhada ao redor, alguns seres humanos estão sendo
manipulados, mas outros nem se dão conta do perigo em que se encontram. Quero
que vocês dois terminem o trabalho, vamos hipnotizar os seres humanos, o máximo
que pudermos e vamos para outro lugar.
Eu e José nos entre olhamos e
gostamos da ideia, estaríamos mais longe dos olhares de outros vampiros que
porventura não vê bem vinda nossa presença e ainda teríamos diversão e comida o
suficiente para atravessar o dia também.
Começamos o trabalho, eu olhava
diretamente nos olhos da garota e dizia o que queria que ela fizesse, e logo
estava me seguindo. Consegui hipnotizar dezesseis garotas e Jose mais dez.
Encontramos Alexander que tinha suas duas garotas e também nos apresentou a
Malakai, um vampiro brujah, este tinha com ele mais quinze garotas.
- Malakai é um amigo, nos
divertiremos muito.
Eu reparei que este último era um
bruxo pela superposição do doble anel, e sua energia era muita intensa.
Alexander sabia escolher suas amizades. Então saindo do clube mais alguns
vampiros nos seguiram, amigos de Alexander. Malakai parece ser menos sociável,
cabelos negros curtos e meio pontudos, olhos negros como a noite e a voz rouca.
Parecia que eu estava sentindo algum tipo de atração, depois do meu
envolvimento com Jose, meus sentimentos se tornaram uma bagunça, mas deixei
seguir nas emoções.
Chegamos numa mansão, grandiosa,
com um jardim gramado e fontes na entrada. Malakai bateu na porta e quando o
mordomo saiu para atender, ele o matou, logo ouvimos gritos, e numa velocidade
animal, o vampiro correu por sobre um homem e o hipnotizou e logo a sua mulher.
Quanto ao restante dos empregados ele trancou num quarto. Então fomos todos convidados,
ligamos o som do salão de festas e começamos a dançar, logo Alexander encontrou
a deca e enchemos de bebidas na festa.
Jose dançava despretensioso com
algumas garotas enquanto se alimentava, aliás, eu ainda não havia reparado, mas
ele se alimenta o tempo todo.
Eu me aproximei de Malakai e
começamos a conversar.
- E você abandonou sua casta? – Ele
me perguntou intrigado.
- Não exatamente. Meu Sire me deu
um ultimato e eu escolhi seguir o Caitiff.
- Então ainda a retorno meu caro. Eu
sou um Brujah, me divirto com festas ilegais, sem respeito aos seres humanos e
sem seguir as regras tolas da Camarilla. O que você só precisava ter feito era
ir para longe da Itália, não abandonar sua casta. Os Toreadores são bons, são artísticos.
Irrompendo a nossa conversação e
toda a festa, a mansão foi invadida, e agora por classes de seres ainda mais
perigosos que nós. Filhos de deuses, outra coisa muito comum em Nord, os filhos
dos deuses e dos imortais circulam por toda a parte, se acham donos do mundo,
ou justiceiros. O primeiro a entrar foi um rapaz muito bonito, com vários amuletos
simbolizando suas diversas proezas, poderes mágicos, divinos, psíquicos, fé,
etc. Era alguém bem balanceado. E sob os seus pés se estendiam um circulo de
luz, talvez uma barreira protetora.
- Quero saber o que está
acontecendo aqui? – Perguntou o rapaz muito transtornado com a cena.
José então se
aproximou e os cheirou.
- Sangue divino! – Se
assustou e deu um recuo. O som parou de funcionar e todos os vampiros desviaram
a atenção para as divindades ali presentes.
- Não podemos permitir
o que estão fazendo com os seres humanos, eles merecem o mínimo de respeito. Se
alimentem, mas não os matem ou os manipule; vocês podem alimentar-se e passar
despercebidos, porque fazem esse tipo de coisa? Que diversões podem encontrar
em toda essa depravação? – Disse o ser enquanto olhava nos olhos avermelhados
de cada um.
Então um saltou com audácia para
matá-lo. Logo outro ser que estavam com eles, cabelos brancos e negros e pele
branca, uma estatura alta e longilínea o olhou e o paralisou no ar, e logo com
um movimento de mãos o destruiu.
Detrás das divindades surgiu outra
classe de vampiros.
- Bravo senhoras e senhores. Mas
receio que o trabalho de vocês aqui tenha acabado. – Disse um vampiro com muita
classe, cabelos sedosos e cumpridos até a altura do oco poplíteo por detrás do
joelho, olhos amendoados e uma feição de traços evolutivos que nos faz crer que
ele vive há muito tempo em Nord. – Somo da Milícia Vampírica, e viemos resolver
essa depravação.
Os seres divinos entenderam e se
retiraram. Mas uma me chamou atenção, algo nela me dizia ser a filha da deusa
dos vampiros, seu rosto angelical e pálido, seus cabelos louros levemente
encaracolados, me proporcionou uma mirada de misericórdia e logo uma energia me
envolveu, corri até Jose e o abracei, logo desaparecemos do lugar. E surgimos
do lado de fora da mansão. A divindade se apiedou de mim e me mandou para
longe.
- E deixaremos todos morrer? –
Perguntei a Jose.
- Não vale a pena lutar Alberto, é
a Milícia, são seres muito poderosos, contentemos com a benção de Lilith e
vamos buscar um lugar para passarmos o dia.
No interior da mansão só escutávamos
gritos, mas sabíamos que Malakai e Alexander também conseguiram escapar.
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