sábado, 12 de dezembro de 2015

Capitulo 14 – Tresbadom

Saímos da estalagem e o homem não falava uma palavra sequer, fomos caminhando no meio do nada e aos poucos era como se cada passo nos levasse para mais perto da comunidade. Um Reino cada vez mais enorme, com um castelo alto e frondoso, diversas casas, um reino realmente movimentado, possuía o aspecto da idade media na Terra, mas com uma tecnologia mais avançada.

O mago ainda continuava calado, e logo me levou a sua casa, no centro do tal reino, uma casa enorme feita com pedras e recheada de poções espalhadas pelas superfícies do recinto. Enquanto caminhávamos para sua casa éramos abordados por vendedores na cidade que diziam: “Esse é o melhor produto de toda Cyntaf”. Outros, porém evitavam olhar o mago, e cada vez mais fui me dando conta de que ele não possuía uma boa fama.

Quando nos estabelecemos numa suposta sala, o mago sentou-se e fez uma menção para que eu também sentasse. Ele fechou a mão direita e a balançou, logo saiu uma fumaça roxa entre seus dedos. Quando a abriu possuía um anel.

- Olá viajante! Nunca havia encontrado alguém de sua espécie no meu reino, quiçá não pensava que existia em toda Kharin.

- Finalmente disseste uma palavra. Tive medo de que não pudesse falar.

Ele gargalhou. – Sua audácia me impressiona, estou seguro de que não sabe com quem está falando.

Eu fechei o rosto em serenidade, não queria transparecer que estava eu apavorado.

- Se fosse me destruir, já o teria feito.

- Exatamente. Não quero destruí-lo Eder. – Meu rosto se contorceu, não estava esperando que ele soubesse meu nome. – Na verdade, preciso de você, como é um ser que Kharin não esta acostumado, todo mundo irá temer o meu reinado, principalmente aqueles magos brancos.

- Se sabe quem eu sou também sabe de minhas fraquezas, e quando os humanos descobrem nossa fraqueza, deixamos de ser tão temidos.

Ele sorriu e franziu o seno. Logo pôs o anel nos meus dedos.

- Esse anel Eder, te fará caminhar durante o dia, o sol já não será um problema, e então caminhará entre os vivos e juntos faremos a vingança que eu tanto anseio.

- Digamos que eu aceite fazer parte, até porque, não vejo que haja uma escolha. E o anel muito me interessou. Mas existe outro ponto que eu gostaria de salientar. Eu vim a este mundo pela minha irmã, uma poderosa bruxa que assim como eu já atravessou um século de vida.

Ele levantou, e seu sobretudo fez um barulho quando as dobras se desfaziam, com as pontas dos dedos passou pelo queixo e logo voltou sua atenção a mim novamente.

- Entendo o que propõe, assim que se te ajudo a salvar sua irmã, faremos minha vingança?

- Exatamente isso. Você já esperou tanto pela sua vingança, esperar só uns dias mais para que possamos recuperar minha irmã não será um problema.

- E onde está sua irmã? – Ele perguntou enfático.

Eu abaixei a cabeça e toquei meu rosto.

- Eu não sei onde ela está. Ela desapareceu de meu mundo sem nenhuma explicação e quando uma amiga ativou o feitiço de localização, aqui foi o lugar onde surgiu.

- Entendo. – Ele então levantou e agarrou uns livros. – Podemos buscar com outro feitiço de localização, mas as coisas em meu mundo são diferentes, necessitaremos de uns dois dias para a produção. Enquanto isso eu irei contar minha história.

Tresbadom voltou a sentar e começou a ladainha do porque de sua vingança, e era mais ou menos assim:

“Houve um tempo que me obcequei pelo conhecimento, fui atrás de livros mágicos secretos da escuridão, e cada vez mais eu fui afundando mais nesses livros malditos, me fui contaminando pela maldade, pela conjuração de demônios, tanto que esta se tornou minha especialidade. Também aprendi a fazer tormentos psíquicos, poderes desse patamar causam muito alvoroço em Kharin. Um dia minha esposa me traiu com um mago branco, eu também fazia parte da ordem dos magos brancos de Cyntaf. Este mago sabia que minha esposa possuía uma aversão a magos negros, pelo ato de que seus pais foram mortos por um. Então ele fez com que ela enxergasse essa luta pelo meu conhecimento das trevas, e atordoada correu para os braços dela. Quando eu soube do acontecido, foi a primeira vez que eu conjurei forças negras para me auxiliar na batalha, mas mesmo assim os magos brancos puderam me derrotar e me exilaram da ordem, desde então eu tento manter os demônios o máximo que eu consigo neste mundo para causar tormento no reino de Cyntaf, principalmente a minha ex-esposa, mas nunca é tempo suficiente. Agora que você está aqui, um ser praticamente criado para se alimentar dos que estão vivos, um predador, eu finalmente poderei ter minha vingança. Eu aprendi a sugar a energia dos demônios que eu conjuro, e desde então a ordem começou a me temer.”

Eu respirei um pouco para tentar absorver essa história ridícula. Como o orgulho era capaz de segar um ser humano. Porque não abandonar a esposa de uma vez, por honra? Por favor, faça este graça a si mesmo, contente com o grande poder que você angariou longe dessa infame.

- Eder? – Ele reparou que eu estava contido em meus próprios pensamentos. – O que você acha?

Respirei profundamente antes de responder.

- Eu acho uma bobagem, mas é a sua vingança, e você tem o direito de vivenciá-la, e é claro que eu te ajudarei, mas você precisa saber que eu tenho o poder de transformar outras pessoas em criaturas como eu, mas não possuo o poder de controlá-las.

Ele levantou novamente e sorriu.

- Imperium Lamia!

Logo ele me estava controlando, todas as minhas ações, era mais poderoso que a própria hipnose que alguns vampiros podem produzir.

- Entende agora do que eu estou falando? – Ele então se gargalhou.

Eu estava perplexo e aturdido.

- Tens razão Tresbadom, agora entendo porque todos o temem. E tenho certeza que você pode me ajudar a localizar minha irmã.

Ele cerrou as mãos outra vez e chacoalhou, então surgiu mais uma fumaça, e quando abriu as mãos, lá estava um papel. Ele o ergueu e então leu em voz alta.

- Toni Drew! – Ele franziu o seno. – Este é o nome do mago que tem posse de sua irmã.

- Mas você me disse que precisaríamos de dois dias. – Eu revidei suas mentiras.

- Eu somente o testava Eder. Agora sei que esta em minha causa.


Tresbadom levantou-se e nos serviu um chá.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Capitulo 13 – Dominações

Mundo Andaluz

Quando alcançamos o lugar aonde vive Minos Sclaterkini, eu fiquei muito impressionado, era uma grande extensão de terra, talvez não superasse a dos Andaluzes de Fogo, mas tínhamos que levar em consideração o fato de que este reino era só de um único ser.

Ele me foi explicando tudo, o que era cada coisa e como foi associando com o que conhecia de seu antigo mundo e criando neste. Até que então chegamos ao centro, que é aonde ele vive. E o incrível é que só existe ele em todo o Reino, como nosso mundo é novo, não houve tempo para popular, e acredito que os seres humanos tenham métodos distintos de reprodução.

Em seu reino tem lugares para caçar, para buscar minério, florestas, grãos, existem animais de estimação, produção de barro, onde ele começou a fabricar tijolos e fazer casas e outras construções como segundo ele, um Senado, um Templo, Quinta, Quartel, um Armazém onde ele estoca alimentos, Porto no rio que leva direto para o mar, e um farol.

Também possui um enorme navio, e me disse que tinha uma ideia. Que queria que eu deixasse meus seis elementais de fogo vigiando e cuidando de seu reino, enquanto nós fizéssemos uma exploração dos mundos através do mar em seu navio.

Então aceitei, Minos é um explorador, a explicação de porque tanta extensão de terra estava no fato de que ele gostava de procurar, de conhecer o novo. Ele estava empolgado com a ideia, mas antes tínhamos que estocar alimentação, agua, montar equipamentos de viagens. Como um ser imortal ele tinha um poder de luta incrível e por isso não temia os desafios, e ele também acreditava no meu potencial, já havíamos batalhado e ele estava seguro de que poderíamos enfrentar tudo.

Quando anoiteceu, Minos trouxe coelhos para comermos e fizemos uma fogueira para assá-lo e também para que ele me contasse histórias de como era no mundo de Nord.

- O pai do meu bisavô era um anjo e lutava por um deus muito poderoso chamado Ledjyoho, um dos mais honrados. Graças a ele Nord pode ser salva de uma destruição.

Eu fiquei boquiaberto, e me lembrei de que existe uma lenda de que há um anjo no mundo de Andaluz.

- Logo ele teve dois filhos, Kirby e Breack. No primeiro nasceu o poder da transmutação que logo ficou impresso no gene de todo Sclaterkini, mas que surgiu graças a Kirby. Já em Breack renasceu a raça original da família que existiu a duas gerações anteriores, o filho do deus Ragnar e de Ennay Dielc, Felipe Sclaterkini, a raça Ogro. Este veio um Ogro mais humanizado e belo, porque descendeu de um anjo. E tempos depois Péricles, o pai do meu bisavô teve seu ultimo filho, Tom Sclaterkini, este veio um Anjo.

Eu parei para processar a informação, e comemos um pouco.

- O que me está tentando dizer é que a partir do anjo surgiram três denominações na sua família.

Ele sorriu. – Exatamente. – Logo deu mais um mordida no coelho e continuou. – Em Nord, os descendentes de Breack se fizeram mais conhecidos, por estarem sempre em aventuras e salvando o mundo, logo, Dony, o ultimo descendente desse membro da família nasceu Spectro, uma raça do mundo de Spiritun, e Dony absorveu as características de todas as raças existentes e é o mais poderoso ser da nossa família. Tom teve dois filhos, mais nunca escutamos falar sobre eles. E da minha, Kirby teve dois filhos e uma filha. E cada um teve um mais. Um era meu pai, e eu por ser o mais novo e único desse membro familiar, me mandaram para Neomundus/Andaluz, lá eu tinha treze anos e estava despertando a magia, e aqui meu crescimento foi detido, e quando aqui alcançar minha idade eu volto a crescer.

- Que caótico. – eu disse espantado.

Logo terminamos de comer e nos preparamos para dormir. Eu deitei em um lado do fogo e Minos do outro. Na verdade não consegui dormir muito bem, fiquei lembrando-me do que ele havia dito sobre a transmutação, e pensei que talvez ele me esteja agradando porque queira minhas características de raça, como fazer elementais, e assim ele povoaria seu grande reino.

Os primeiros raios da manhã começou a penetrar seu reino e a fogueira já se estava extinguindo quando nós dois despertamos. Minos parecia bem descansado, de fato, revigorado, talvez por saber que faríamos uma expedição em volta dos mundos.

- Estou muito contente de que estás indo comigo Claus. – Ele estendeu a mão para cumprimentar-me e possuía um sorriso enérgico no rosto.

Então também estendi minhas mãos e sorri. – Eu também estou muito feliz. Mas preciso ser completamente honesto contigo.

Uma ruga de preocupação brotou sobre suas sobrancelhas. – e o que seria?

- Eu temo que você só me queira para transmutar-me. – Eu disse de golpe e fixei meu olhar sobre o dele.

Seguindo o mesmo olhar fixo e ele seguiu. – E onde estaria o problema? Transmutar-te não significaria nenhum dano para ti. Mas não quero que penses que estou indo viajar contigo por querer ter seu poder. O quero porque me agradas, e temos sonhos parecidos.

Confesso que suas palavras me deixaram muito confortável, e para afastar esse medo de uma vez eu o ofereci para que me transmute. Assim poderei seguir sabendo que esse não é o premio final que ele espera.

- Está seguro de que é isso que realmente quer? – perguntou Minos.

Balancei a cabeça aprovando e logo parei com braços e pernas unidas e fechei meus olhos. Pude perceber algumas luzes se formando ao redor de mim e logo tudo tomou conta do meu ser, pude sentir algo sobre e dentro de mim ao mesmo tempo, e aos poucos me fui sentindo grande, duplicado, e quando essa sensação chegou a ser plena me quitaram. Logo me senti eu novamente e então abri os olhos. Na minha frente estava Minos envolto em chamas e em magia.

- Eu me sinto ótimo meu amigo Claus. É a primeira vez que faço isso, e sinto como se minha energia estivesse sida muito ampliada. Eu espero que você esteja se sentindo bem.


Eu estava ótimo e minha alegria o fazia transparecer e também transbordar. Então entramos no navio e seguimos a correnteza do rio de fluxo ao mar, não tardou para começar a chover, então deixamos o navio à deriva e passei a ensinar-lhe como manipular os poderes de um Andaluz.