terça-feira, 24 de novembro de 2015

Capitulo 12 – Mistérios no Bosque Sereno – Parte 2

A torre onde se encontrava Losz possui uma escada em espiral, e cada degrau palpitava meu coração, porque pelo que eu pude perceber pelo lado de fora, estavam saindo luzes de adentro, me imaginei ela como uma feiticeira descontrolada, e temia o que poderia acontecer, com visita assim inesperada.

Era rústica, de luxo, com pedras amontoadas, e se sentia o frio proveniente do mau aquecimento que poderia produzir num interior de um lar por exemplo. Não me agarrei à espada, porque não queria assustá-la, simplesmente segui. Tinha algumas janelas pequenas que auxiliavam na iluminação.

Finalmente alcancei a parte mais alta, e virando pela escada encontraria a tal feiticeira. Caminhei lentamente e à medida que eu avançava, meu campo de visão se ampliava e então comecei a vê-la por partes, estava um pouco inquieta. Trajava um vestido leve, verde, feito de fibras de arvores, tinha a pele morena clara, um corpo bem formado e estava calçando outro adereço da vila, como bambolês também feitos artesanais.

Quando me aproximei um pouco mais e finalmente lhe vi o rosto que me mirava com uma incógnita expressa no olhar. O rosto fino, bocas pequenas, mais carnudas, olhos cor de mel e cabelos castanhos bem clarinhos.

Parece que por alguns segundos ela tentava reconhecer-me, podia ver em seu olhar que ela buscava na memória, e como não me conhecia, ela se colocava confusa, e não sabia o que fazer, se me tratar com cortesia, ou se atacar-me.

- Losz? – Falei pacientemente, para tranquiliza-la. – eu não queria assustá-la. De fato, eu sou o mais assustado aqui. – E então sorri.

Ela arfou. Retirou a tensão e se tranquilizou.

- Perdão meu rapaz. Não é um bom momento. – passou um pouco e então continuo, com o rosto confuso. – Você é do nosso reino?

- Não. – então me apresentei, devidamente, com os pompons da situação. – Eu sou Jean Carllo, do Reino de Urak, campeão em Aresped.

- Oh! – Muito bem. E o que o traz aqui campeão? – ela ajeitou a cabeça que estava caída para um lado. – O que trouxe a nosso reino?

- Bom. – Dei uma pausa para respirar e senti a confiança necessária para aproximar-me mais. Foi então que percebi que havia um altar agora atrás de Losz, e uma pedra parecida a um grande diamante. – Eu vim conhecer os campeões de outros reinos, saber quem competirá contra mim.

- Hum. – Ela então se virou para o que estava fazendo. – E a este lugar especificamente?

Então me aproximei, e pude olhar suas mãos sobre o diamante e faíscas de eletricidade que de aí emanavam e se concentravam na pedra grande. Os olhos de Losz haviam mudado de cor e de repente tudo saiu do controle, raios por dentro do cômodo, me obrigou a abaixar, e o clima lá fora mudou do sol rachando para uma chuva forte com raios e trovões. Pulei sobre a maga e a pus no chão junto a mim e o clima foi voltando ao normal. Losz também foi retornando e seus olhos de mel me fitaram num instante seguinte, e eram penetrantes, neste mesmo momento eu a visualizei por inteira, como na primeira vez que a vi, e meu coração se acelerou, ainda mais quando senti que estava sobre seu corpo quente.

- Oh, por favor! Saia de cima de mim. – Disse Losz apreensiva e ofegante.

- Mil desculpas. É que pensei que os raios pudessem atingi-la.

- Fui eu quem os produzi. – disse furiosa. – Como, pois me acertariam.

- Eu só quis ajudar. – Levantei bravo e a ajudei a levantar-se. – Não tenho culpa de ser ignorante sobre seu mau controle.

Losz fechou a cara e franziu as sobrancelhas.

- Também não quis ofendê-la. – tentei amenizar a situação. Só agi por medo.

Ela arfou novamente.

- Tudo bem. Isso tem acontecido algumas vezes comigo.

Antes que continuasse, fomos interrompidos por Zion que entrou ofegante no cômodo.

- Losz! Algo terrível aconteceu.

Os olhos da maga se arregalaram, e eu fiquei apreensivo sem entender.

- De uma vez Zion. O que houve? – Disse Losz.

- Recebemos a noticia de que uma bruxa está nos arredores do bosque. Dizem que ela arrasou o Reino Xiar e que depois de haver desmaiado todos os moradores e não ter encontrado nenhum mago ela saiu do reino, mas não sem antes queimar tudo e se dirigi enfurecida para o nosso Reino do Bosque Sereno.

Eu pude sentir a inquietude de Losz. Acho que ela não se sente digna do cargo que exerce; não se sente preparada para ser uma das únicas magas de seu reino. E agora que vem uma bruxa atrás dela, ela teme não poder vencer.

- Não se preocupe Losz. Zion é um campeão em Arco e Flecha, eu sou um campeão em Aresped. E você é uma maga do tempo, temos Soaine. E todo um exército de arqueiros. Até onde eu sei, Xiar é um Reino muito pequeno, não podem defender-se sozinhos. Mas nós sim.

Losz pensou um pouco e ordenou que todos nós saíssemos do recinto. E pediu que chamasse Soaine. Antes que eu partisse, lhe dei um abraço e sussurrei em seu ouvido: “Eu acredito em você”. Ela então sorriu.

Zion havia construído uma casa para ser a Ordem dos Arqueiros do Bosque Sereno. E então reunimos todos os guerreiros neste estabelecimento. Tínhamos que planejar como apanhar essa bruxa.

Eram mais ou menos dez Arqueiros, mais Zion como Lider, e uns dez mais guerreiros, tendo Jeft como líder. Este último é o campeão da categoria batalha deste reino, provavelmente o meu competidor na Arena. Ele tem uma estatura mediana, cabelos castanhos escuros, assim como os olhos e a pele mais morena, e assim como os demais ele veste roupa feita de fibra vegetal.

Algumas horas depois apareceu Losz e a mais jovem, Soaine. Esta linda, branca, dos olhos azuis bem profundos e um cabelo cor de ouro refinado, vestindo fibras vegetais de uma coloração mais avermelhada.

Losz andou até estar diante de todos, respirou profundamente, como se fosse uma das poucas vezes a falar em publico.

- Meus queridos moradores do bosque, eu sei que ainda carecemos de um rei. Mas também sei que eu, Zion e Jeft somos muitas vezes nomeados com este titulo, então peço que respeitemos essas decisões de hoje.

Ninguém se opôs as palavras de Losz. E mais, alguns sentiram até orgulho. Apesar de ela ser meio atrapalhada, o que deu de perceber é que eles realmente acreditam no potencial desta maga.

Jeft então se levantou, e demonstrou um alto poder de liderança. Todos, incluso a mim, sentiram muito confiantes com ele.

- Estaremos na linha de frente, como atacamos de curta distancia, e a bruxa a longa, nós precisaremos ser muito rápidos, para desviar dos ataques mágicos e cada vez mais nos aproximarmos. Confiaremos nos arqueiros para diminuir essa vantagem da bruxa, tirando-a flechas certeiras para que ela se distraia tentando desviar. Enquanto isso acontece, Soaine utiliza sua energia de benevolência para unir o nosso grupo e aumentar nosso poder físico, e ao mesmo tempo para diminuir a força de vontade da bruxa para atacar-nos. E dos céus, Losz trará toda a fúria de seu poder e veremos qual bruxa é mais poderosa.

Essas últimas palavras deixaram a maga ainda mais apreensiva, mas ela sabia que todos tinham confiança em seu potencial. A mim, me tocou estar com Jeft. E eu gostei, porque ao menos ao lado dele eu conheceria o potencial, e teria uma ideia do que eu poderia esperar no torneio.

De repente os céus voltaram a ficar negros e as arvores do bosque sereno a queimar. Tivemos que de emergência realizar a formação antes estabelecida. E lá estava eu na comissão de frente esperando a tal bruxa surgir. Então olhei uma vez mais para Losz que estava no alto do céu e sorri. E ela então retribuiu, senti que faria tudo para proteger o Bosque Sereno. Logo lá vinha ela, os olhos totalmente esbranquiçados, uns traços finos e delicados sobre uma pele branca que contrastava com seus lábios vermelhos e grossos. E estava encapuzada.

Das suas mãos se escutavam faíscas de energia, e de repente um estrondo de ali partiu em direção a nós da linha de frente.


Continua...

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Capitulo 11 – Batalha na Casa Ludjimasi

Alguns dias de caminhada e já estavamos chegando ao continente Europeu. Um lugar marcado por guerras e domínios territoriais. Um caminho que Ewerton já conhecia, o caminho de casa, estavam de ida ao castelo Ludjimasi. E lá é onde aconteceria o primeiro desafio interno.

Depois de atravessarem uma pequena floresta, nossos heróis deram de frente a um terreno arenoso preenchido por muitas pessoas, de um lado um rei com sua coroa e ao seu lado um homem trajando um robe luxuoso e um cajado com uma pedra turquesa em cima, e atrás muitos soldados, mais atrás arqueiros. Do outro lado a mesma situação, a diferença estava na coloração das roupas, deste lado vestia vermelho, enquanto do outro era azul, o mago deste lado possuía uma rubi em seu cajado.

- Não poderemos atravessar até que essa guerra termine. – Disse Blair.

- Destruímos todos e então passaremos tranquilos. – Disse Loui.

- Ninguém vai destruir nada, vamos tentar apascentar. – Disse Iluga Maia.

- Mas como podemos chamar a atenção deles? – Perguntou Jenna.

Cousin Mec se fez corpo elemental luz e passando por entre os exércitos inimigos foi congelando todo o solo arenoso. Os reis deram um passo para trás assustados.

Chien e Joel cada um em uma direção oposta se envolveu com a chama verde e veio vindo.

- O que é isso? – Gritava o rei. – São demônios?!

Os cavalos se agitaram e era difícil controla-los. Pablo tampava o sol, deixando certo clima de trevas no ambiente. O exercito começou a se preocupar e enrijeciam seus músculos frente ao perigo.

- Não sejam tolos! – Gritou o Mago Azul. – São crianças imortais.

Parece que a mascará havia caído, eles se esqueceram que são conhecidos por toda a Nord, ainda mais ali, tão perto do castelo Ludjimasi.

- O que querem crianças? – Disse o Mago Azul.

- Gostaríamos de saber o que está acontecendo aqui. – Disse Ewerton.

- Receio que não é assunto para vocês. Mas se querem mesmo saber, estão no meio de uma guerra. Os Red Kings roubaram parte do nosso território e não querem devolver.

- Senhor. – Disse o Rei Vermelho. – Não pertence a eles, são enganadores e trapaceiros.

- Não possuo o poder de julgar. – Disse Ewerton. – Mas se isso pode ser evitado, sei como o fazes. Que venham os dois reis comigo. Será um assunto do castelo.

- Mas senhor. – Disse o Mago Azul. – Não eres mui jovem, será que o rei Ludjimasi nos atenderá.

- Com toda certeza.

E assim fizeram, as tropas foram dispensadas e os reis e magos seguiram nossos imortais até o castelo Ludjimasi. Lá Ewerton deixou-os as autoridades competentes e procurou seus pais.

- Meu filho. – Disse Adry Ludjimasi.

- Esses são meus amigos. E apresentou um por um, até mesmo a mim, o que causa certa estranheza, por que eu não sou imortal.

- E qual o motivo da visita.

- É que estamos fazendo um torneio em cada castelo, esse será o primeiro.

- Claro, assim que comam meninos e meninas, descansem bem. Pode deixar que amanhã cedo estará tudo preparado para a grande batalha interfamiliar.

Uma arena no próprio castelo havia sigo organizada, alguns membros da família Ludjimasi estava ali para ver o desfecho, não apostavam muito no jovem Ludjimasi de sete anos, mas queria muito ver o desempenho.

As batalhas foram sorteadas, e a primeira era de Ewerton Ludjimasi x Loui Delacour. Sem delongas Loui rapidamente congelou Ewerton, deixando todos impressionados com tamanho poder.

A segunda batalha foi entre Eu e Joel Sodji Girl. Joel por ser mais rápido ataca primeiro com uma explosão de chama verde, mas eu conheço caminhos pouco divulgados e ao girar a mão destruí a magia, deixando todos muito impressionados, Adry mesmo começa a fazer muitas hipóteses em sua cabeça sobre a minha índole, pude perceber pelo olhar penetrante que direcionava a mim. O globo de trevas que eu lancei acertou em cheio o Joel, mas ele não vai sozinho, é acompanhado de fatores telepáticos e telecinéticos que quando atingem o alvo explode. Parece não ser difícil para mim desviar dos ataques. Mas finalmente sou queimado pela chama, mas não sofri muitos danos. Num enlace, Eu fiz três globos de trevas simultâneos e teleguiado, sem poder defender-se, Joel toma os três e cai ao chão desmaiado.

Todos ficaram muito espantados, pelo fato de eu não ser imortal e ter facilmente derrotado um, essa fama poderia passar entre as pessoas de Nord e causar uma rebelião. Era essa a preocupação de Adry.

A terceira batalha foi entre Pablo Sodji e Iluga Maia. Mas foi uma batalha rápida, Pablo recém entrou em Kennevis, e apesar de Iluga ser muito jovem, ele possui duas famílias de peso, Maia e Jyhad, já veio para este mundo muito poderoso.

A quarta batalha foi entre Chien Sodji e Blair Girl. Uma batalha aparentemente equilibrada, Chien também possui Girl em seu nome, mas não intimida a ousada Blair. O principal ataque de ambos é a Chama Verde. Blair começa queimando com a chama verde. E logo é ela a ser queimada duas vezes seguidas. Blair o confunde com varias chamas e num cerco o queima. Chien revida com o golpe leão da mata. Ambos já parecem exaustos da batalha. Blair para ganhar tempo usa o ataque ilusão para engana-lo enquanto o queima. Mas Chien depois de um tempo atenta aos sons provenientes dos passos de Blair e ataca em cheio, logo após queimando-a com a chama verde. Mas ainda não é o fim, ambos estão esgotados, mas não querem perder. Blair ajoelha e Chien aproveita o momento perfeito para dar o ataque Ave Fênix e a faz desmaiar.

A quinta batalha foi entre Cousin Mec e Beau Helsing. Deixando Jenna Sclaterkini para a próxima rodada. Não tarda muito, a pontaria e o arco prateado de Beau são muito poderosos, fazendo com que Cousin caia desmaiado no instante seguinte em que as flechas reaparecem nas costas de Beau.

Para a segunda rodada ficou Loui, Eu, Iluga, Chien, Beau e Jenna.

A primeira batalha da segunda rodada acontece entre Loui e Jenna. Apesar de todos os esforços da Sclaterkini em tentar vencer o nosso imortal Delacour, mas não é possível, ele é resistente demais, ataques de terra, envenenamento, nada. Loui com sua capacidade de congelar e queimar com lava, num mesmo golpe é demasiado poderoso, e seria uma ótima oportunidade para que eu possa estuda-los, ele representa meu maior embate. Já podia ver ele garantido na final, e sabia que neste primeiro confronto eu não seria capaz de vencê-lo.

A outra batalha ocorreu entre Chien e Eu. Já o havia visto lutar, conhecia seu estilo, ele pareceu temer-me, logo ativou o chama verde, então soube que precisaria manter certa distancia. Com telecinésia eu mesmo me levitei, para obriga-lo a agir de longa distancia. Então ele tornou seus braços em tentáculos de trevas envoltas em chamas verdes que vieram com todo ímpeto na minha direção. Mas seu poder era baseado no meu elemento mais forte, então estiquei meu indicador e dedo médio e pus um ao lado do outro, um vertical e outro em horizontal e gritei “Kai”, logo sua magia foi desfeita, mas esqueci da chama, que veio com força pra cima de mim. Envolvi-me em trevas densas e amenizei o dano, mas ainda assim o pude sentir de forma bem violenta. Sendo ele uma criatura divina, teria que agir rápido. Então invoquei um gripo para sustentar-me no ar, e com a telecinésia livre, combinei com minha telepatia e dei um golpe certeiro em sua mente. As criaturas de Nord tem um espanto quando se fala de poderes psíquicos, por que os fazem lembrar-se do Lord Vlannytic, então por evitarem, muitos não sabem responder a esse golpe. E minha teoria estava certa, Chien caiu abobado no chão. Adry e Loui me olhavam espantados, e esse medo em seus olhos me enchia de prazer e orgulho.

E a ultima dessa rodada foi Iluga contra Beau. Iluga apesar de ter somente dez anos, não deixou a desejar, ele era muito rápido e muito esperto, e tinha uma força de vontade que era lendária entre a família dele Maia, e eu pude comprovar. A aureola sobre sua cabeça brilhava. As flechas de Beau eram em número de nove, mas Iluga estava muito confiante e desviava de todas. Quando ele foi capaz de unir a luz com seu poder psíquico, Beau foi derrotada, porque agora, as flechas já não podiam chegar. Então descobri o ponto débil da família Helsing.

Para este turno, restou Loui, Eu e Iluga. Eu recém os havia conhecido, e já era um dos três mais fortes entre os imortais. E tocou na batalha eu contra Loui, e como já tinha dito antes, eu sabia que não o venceria, ele possui caminhos mágicos específicos da família dele, e esses eu não podia cancelar, como ele estudou em Kennevis, defender-se de poderes psíquicos não eram tão difíceis. Seu alto nível em espíritos e mediunidade me derrotou, agora eu sabia no que teria que especializar-me para vencê-lo. Ele também venceu com certa dificuldade a Iluga. E eu com muita dificuldade venci o Iluga, bloqueei seus ataques psíquicos, e o diminui sua velocidade, convoquei tempestade para que ele pudesse diminuir. Invoquei dois seres infernais para entretê-lo, e então preparei meus golpes mentais e meus ataques de trevas, não foi fácil vencer uma luz divina, a parte, que como eu tinha contado, ele é muito esperto para a idade dele. Logo com Cavalos de Gandalf, uma magia que levanta muitos cavalos feitos do elemento agua que toma conta de todo o cenário, e ele com a velocidade diminuída não pode desviar, com os raios da eletricidade eu o eletrocutei. Ele tentou absorver, mas era muitas funções. Esgotei suas oportunidades e finalmente o derrotei. Eu estava muito fraco quando terminei talvez a frustração por ter perdido para Loui me fez descontar todo meu poder no jovem Iluga Maia.


Terminado as batalhas, todos os lutadores foram parabenizados por toda família Ludjimasi. Foram dados prêmios em dinheiro para nós, os três primeiros vencedores. E também medalhas Ludjimasi. Agora nos tocaria ir para o próximo desafio, rumo a Russia, castelo Sclaterkini.

domingo, 22 de novembro de 2015

Capitulo 10 - Em Outro No Mesmo Lugar

Terra - Sant Andrew/ RS - 2015

Nesta madrugada comecei a leitura do livro das sombras de minha irmã, as letras estavam um pouco embaçadas como num mecanismo de defesa do próprio livro que não estava tão seguro de que era ela a leitora. Sentei-me à mesa da biblioteca a meia luz e me concentrei tentando encontrar uma saída, então eu foliei as primeiras páginas e fui para o final, ali ela demonstraria as sensações que estava sentindo antes de ter desaparecido.

“Há alguns dias me deparei com uma criatura alada, de plumagem negra brilhante, parecia uma ave longa e altiva, com bicos finos e proeminentes e as penas do rabo eram compridas e de um color uniforme. Se parecia muito as fênix dos contos.”

Eu já havia vivido um tempo considerável, e algumas criaturas fantásticas de fato existiam, mas a fênix era realmente uma revelação, ou minha doce irmã havia sucumbido à loucura, ou estava em meio a uma descoberta. Mas isso ainda não explica o sumiço. Então voltei à leitura.

“Quando comecei a fazer interrogações a mim mesmas sobre a criatura que me visitava, percebi que ela podia ouvir meus pensamentos, porque ela era capaz de se expressar com a cabeça ou com gestos delicados de suas asas. Aos poucos ela me foi suspendendo no ar com algum tipo de força psíquica, quando percebi que ela me levava para fora do quarto, recitei um encantamento para que tornássemos invisíveis ‘Circulo de luz, circulo de poder, por um tempo deposito minha cor, por favor, devolva-a ao meu dizer, torna-me invisível, faça-me movimentar sem ninguém perceber’. E rondamos o céu de Sant Andrew de uma maneira única, incrível, indescritível, a leveza que ela proporcionava. Quando estava terminando a noite ela me levou de volta ao quarto e num tipo de mini explosão ela desapareceu. Eu soube ali que ela não pertencia a nosso mundo. Eu sempre soube que havia dimensões e camadas leves e densas no nosso universo, mas não havia imaginado mundos viventes como o nosso, e estava realmente encantada, e então se despertou em mim uma nova curiosidade.”

O que ela quer dizer com essas palavras, logo após essa declaração, só existe um feitiço escrito por ela, mas sem nome, e o que quer dizer? Será que invoca o tal pássaro? Ou será que me leva para aonde ela esta? A única maneira de descobrir é voltando a ter com Margarida, ela será capaz de conjura-lo.

Recopiei numa folha o feitiço e fui atrás d bruxa. Estava dormindo quando a incomodei. Ela abriu a porta um pouco contrariada com a hora, mas pôde ser compreensiva, afinal, eu estou no desespero para saber o paradeiro de Amanda.

Logo que entrei a sua casa, ela me encaminhou para o jardim, trouxe consigo utensílios de trabalho e começou a conjurar os círculos e encantamentos de proteção, invocando os guardiões das torres. Em seguida neutralizou-me para que eu fosse capaz de adentrar ao interior do circulo, afinal, sou um vampiro, e para eles sou tido como uma criatura das trevas.

- Dê-me o feitiço Eder! – Exclamou a bruxa, vamos descobrir do que se trata.

Ela o agarrou e começou a recitar as palavras encantadas, o circulo se encheu de luz, e por alguns segundos aquilo começou a me incomodar, sentia minhas células regenerando de maneira rápida para evitar uma possível destruição. Mas confiei em Margarida.

De repente pesadas correntes negras começaram a enredarem em meus braços e pernas, uma ventania tomou conta do lugar, e outro circulo muito maior com um monte de runas no interior de seu anel surgiu, e uma palavra peculiar se mantinha fixa em minha mente “Kharin”.

Então pude perceber outra realidade, um lugar como a Terra, talvez diferente em relação a algumas plantas e flores que posso ver. Mas possui céu e terra. Não conseguia ver o tal pássaro negro e tampouco a minha irmã.

- É um portal Éder! – Gritou Margarida do lado de fora do circulo. – não posso te dizer que ai encontrará Amanda. E simplesmente o que sugere o último feitiço por ela escrito. Não serei capaz de sustenta-lo por muito tempo, então terá que tomar uma decisão. Quer retornar? Ou seguirá a caminhada?

Eu não tinha muito que pensar era a única pista sobre o paradeiro de minha irmã, se ela avançou novos mundos por exploração ou porque fora sequestrada, eu precisava descobrir. Então disse a Margarida que ficaria então avancei alguns passos e me vi completamente em outro lugar, e aquele nome que eu os havia dito no principio continuou fixo em meus pensamentos, Kharin.

Eu estava em um campo aberto, com gramas baixas e espécies de arvores com diversas cores, algo que eu jamais havia visto na Terra. Era igual que aqui, um único céu, uma única lua, e com seus milhares de estrelas. Não via nenhum ser vivo e então segui caminhando, pude ver alguns animais silvestres, bem parecidos com os que temos em nosso planeta. Mas adiante comecei a ver construções, e parecia que agora eu estava dentro de um filme, são construções das do tipo medieval na Terra, castelos e casas da plebe feito de barro, ou às vezes de troncos de arvores e palha, antes de alcançar a dita civilização, também encontrei uma base de sustentação agrícola, com plantações de trigo, cevada, arroz entre outras leguminosas. Deduzi que ao menos em essa realidade alternativa já não eram mais nômades, já disfrutavam de uma vida sedentária. Ao ver o castelo no monte, concluí que o sistema político é sobre reis e rainhas. E uma coisa não saia da minha cabeça, que faria Amanda neste lugar, ou estaria em busca de algo muito precioso, ou não conseguiu mais voltar, uma vez aqui dentro. Alias, essa era outra indagação, como eu voltaria?

Outro ponto que preocupava, é que logo amanheceria, e isso poderia significar meu fim. Tratei de alcançar logo a sociedade. As pessoas me olhavam estranhas e curiosas, eram típicas de cidades provincianas, que quando um ser estranho chega, já é motivo de conversas, indagações e conceitos prévios. Procurei uma estalagem e um senhor de idade avançada estava sentado.

- Procuro um lugar para repousar. Vim de muito longe, e este fora o lugar mais próximo que encontrei. – Outra coisa me incomodava, eu comecei a sentir muita sede, não por água, por sangue.

- Claro senhor, temos um quarto. Como você se chama? – Perguntou cordialmente o senhor.

- Sou Éder Marques.

Ele ajeitou os óculos e anotou meu nome curioso. Logo algo que o incomodava foi exteriorizado.

- Primeiro terá que pagar!

E eu não tinha ideia de como se faz isso neste lugar.

- Perdão senhor, mas qual é a moeda de troca? – Tudo o que eu tinha no bolso eram reais.

Antes que o senhor tivesse a chance de me responder, um senhor de mais ou menos um metro e oitenta desceu as escadas da estalagem. Senti o medo que sentia o dono do estabelecimento e comecei a preocupar-me.

- Venha comigo meu rapaz. – Disse essas palavras com os olhos fixos em mim, e parecia atravessar-me.

Não tive outra reação a não ser acompanha-lo.

sábado, 14 de novembro de 2015

Capitulo 9 – Rompendo Dimensões

Mundo Andaluz

Eu parti para a direção oeste que mais me deixaria perto da comunidade mágica das fadas, o lugar secreto protegido pelo protetorado. Como vocês sabem, eu me chamo Claus, e sou um Andaluz.

Eu estava em uma parte que recém havíamos dominado os territórios dos Andaluzes de Planta, bem próximo ao protetorado protegido por um Cavaleiro Divino e um Homem de Cristal. Quando desci deparei com um ser de constituição diferente a nossa, se notava pela sua cor parda amarelenta, possuía muitas similitudes, como mesmo numero de membros, mas eu sabia que ele não era um Andaluz. E do meu reino para baixo ele já havia dominado uma grande parte.

Quando me aproximei ele não se espantou com a minha aparência, mas tampouco parecia amigável. Suas mãos se transformaram em rochas e eu fui obrigado a incendiar-me. E convoquei meus seis elementais. O rapaz num movimento apontou as mãos e esticou os dedos na minha direção e foram disparados dardos de pedras, meus elementais entraram na frente e aonde os dardos fixavam não havia chamas. Então aprendi que seu elemento anula o meu.

Precisava ser mais esperto, eu estava em maior número, podia vencer. Então separei os elementais para cerca-lo. Somos sete e ele só tem duas mãos. Então pouco a pouco fomos realizando ataques simultâneos com bolas de fogo, ele era muito inferior na velocidade e aos poucos sua vantagem elemental foi se tornando nula, quando partes do seu corpo começaram a queimar, e ele não tinha energia suficiente para transformar todo seu corpo em rocha. Realizando os ataques também fomo-nos aproximando e o cercando cada vez mais, comecei a imaginar toda a área dominada dele, e como seria gratificante se ela pertencesse a mim. Quando enfim ele já não podia mais lutar, e já o havíamos cercado, faltaria somente o ultimo golpe.

- Eu não posso morrer! – Ele exclamou esbravejando.

Não fiz questão de respondê-lo, então nós sete demos as mãos e conjuramos um enorme circulo de fogo, que nos mesmo instante pareceu incinerar tudo, o cheiro das roupas e de sua carne queimando. Havíamos conquistado seus domínios.



E a criatura estava desmaiada e nua na nossa frente, e sua pele, suas vísceras e carne estavam regenerando. Eu não podia acreditar no que estava vendo, nunca havia acontecido coisas assim em Andaluz. No final de sua restauração, ele estava desmaiado, mas inteiro. Então absorvi os elementais e tratei de leva-lo para meu reino.

Ele dormiu por trinta e seis horas. Eu ainda não podia acreditar que ele estava vivo. Ele dormiu no meu quarto, e eu estava em guarda para quando ele acordasse, para dar-me explicações.

Passado as horas que o relatei finalmente começou a abrir os olhos, logo invoquei meus elementais e mantive o cerco. Ele parecia sedento, então um dos elementais o trouxe agua. Ainda parecia confuso quanto ao tempo e o espaço, mas em questão de minutos ele foi lembrando-se do que aconteceu.

- Onde estou? – Perguntou sem demonstrar alguma preocupação. Ele tinha um sotaque diferente, mas sabia falar minha língua.

- Você está em meu reino, sou o Rei Claus – o Conquistador. Tivemos uma batalha onde eu o venci, o incinerei, mas você sobreviveu. – Eu não pude disfarçar minha cara de espanto ao externalizar essas palavras. – Como você fez isso? Se eu tivesse essa capacidade seria invencível e imortal.

Ele sorriu. Via-se incrivelmente confortável. Talvez sabendo que não pode morrer, o deixasse mais seguro, mais confiante.

- É uma habilidade nata. Como percebeste, eu não sou do mesmo mundo que você. Há um ano meu mundo colapsou-se com o seu, foi quando conheci os Andaluzes, um animal, uma planta e um de trevas, batalhei contra eles pelo território em seu mundo, o que claramente agora pertence ao meu. Eu estava subindo para o reino das fadas que fugiram de outro mundo ao qual eu pertencia, e deparei com o protetorado, um Cavaleiro Divino não me permitiu prosseguir, e fiquei sem respostas.

Eu estava perplexo novamente, nunca havia acreditado nas histórias do meu avô sobre as dimensões. E agora eu estava presenciando seres dessas dimensões, e não imaginava que eles fossem diferentes de nós. Quando eu escutava as histórias, imaginava seres fantásticos, alados, ou parecidos com as fadas que criaram nosso mundo.

- E porque as fadas criaram Andaluz? – foi à primeira pergunta que me ocorreu. A origem do mundo.

Ele respirou profundo, tomou mais um gole de água, e sentou na cabeceira da cama.

- Um mundo distante chamado Nord foi gravemente atacado pelas fadas, elas queriam destruí-lo, elas também foram as que o construíram, mas pela decepção das invasões que haviam ocorrido, elas tentaram destruir. Mas foram paradas por diversos heróis. Quando se deram conta da barbaridade que estavam fazendo, elas abandonaram a guerra e criaram três mundos para poder enganar os deuses, e então nós invasores caímos nos primeiros dois mundos, e no terceiro que é o de vocês ficou intacto pela invasão, então criaram vocês, os Andaluzes. Mas infelizmente para elas, os mundos se colapsaram pelo grande deslocamento de energia, e todos se tornaram um só.

Agora foi meu turno de respirar profundamente. Era muita informação. Eu estava detendo um conhecimento que ninguém em Andaluz possuía. E a minha curiosidade só aumentava. Eu tinha muitas perguntas para fazer.

- E como aprendeu a nossa língua? Qual o nome da sua raça? Aliás, qual é o seu nome?

Ele riu novamente, e eu já estava acostumando a aquele sorriso.

- Para começar, me chamo Minos Sclaterkini. Sou de Familia Imortal do Mundo Nord e fui mandado para colonizar um dos mundos. Com o advento da colonização eu conheci os Andaluzes há um ano e com eles comecei a praticar e então aprendi suas línguas. Eu sou de raça Humana. Como vocês tem traços parecidos com os nossos então os chamados de Humanoides.

Decidi que não poderia ponha-lo cativo em meu reino, queria cultivar a amizade, ter alguém imortal como ele como aliado aumentaria meu prestigio entre meu povo e entre os outros que são submissos ao Império.

- Eu gostaria de conhecer seu reino, Minos. – falei tentando parecer amigável.

Minos então levantou, agora parecia inteiramente recuperado e disposto. Mais uma vez explanou seu sorriso e disse:

- Com certeza. Você irá surpreender-se com meu reino, de todos que eu conheci; nenhum, nem mesmo o seu se assemelha ao que eu construí.

- Então vamos ver. – Disse expressando minha animosidade.


Então organizei minhas coisas novamente e sai do reino com meu mais novo amigo, o Humano, Minos Sclaterkini.