Kharin,
Reino de Volkanlar Kara
A
expressão do senhor se assemelhava muito a mim mesmo, nossa cor de pele,
morena, nossos olhos negros, e agora comecei a me atentar mais que ele só se
vestia como velho, mas seus traços não eram tão antigos.
-
Porque eu não fui sacrificado aquele dia?
O
senhor olhou um tempo às estrelas, e como que não importando com a minha
pergunta começou a dizer.
-
Essas constelações são tão diferentes das que você havia acostumado a conhecer.
– Afirmou como se estivesse falando de si mesmo. – Uma pergunta, Ígneos, se
sente encaixado em este mundo?
De
verdade eu nunca me senti cômodo, por mais que eu ame a meus pais, me sinta bem
ao lado deles, eu sempre senti que algo faltava; depois que me revelaram sobre
as Muralhas da Resignação, pensei que talvez esse vazio exista porque de alguma
maneira estou ligado a todo o incidente.
-
Sinto que alguma coisa falta ser preenchida.
Ele
levantou e começou a caminhar, subindo pelo vulcão extinto.
-
Você não foi sacrificado aquele dia porque é filho do fogo.
-
Eu não compreendo o que me esta tentando dizer com filho do fogo. Eu nasci de
meus pais humanos.
-
Eres humano, mas sua essência é divina. Que deuses você conhece meu jovem?
-
Em Kharin só existe uma deusa, Misgijai, deusa da magia, personificada em sua
filha Sakura Nihai, lendária que vive no continente Nihai a sudeste de Humanun
Terrae (continente onde vivem os humanos em Kharin). Até os lendários usuários de
Ahada do continente de Summi a respeitam.
-
É certo. Mas não significa que não existam mais. Kharin foi criada faz uns mil
anos após uma guerra em outro mundo que quase colidiu com a destruição do
mesmo. A criação de Kharin surgiu graças ao esforço de grandes mago que usaram
todas as suas forças para criarem este mundo como um alternativo caso o outro
fosse destruído.
Estava-me
sendo revelados segredos que eu nunca havia imaginado, me perguntava a todo o
momento quem era este homem que conhecia tanto, e que tanto falava de deuses, e
porque contava a mim, será que tinha algo haver com as Muralhas da Resignação.
-
Os que vivem em Summi nada mais são do que os descendentes dos criadores de
Kharin.
Eu
fiquei espantado, não sabia que Kharin era tão jovem, e tampouco que seus
descendentes diretos vivem no continente de Summi.
Ele
sorriu. – Tem mais um detalhe que você mesmo vivera para ver. – Agarrou e
apertou minha mão. E sua mão se parecia tanto com a textura da minha. – Muitos
dos que vivem em Summi, os descendentes diretos de dos criadores de Kharin,
Nestor e Esperanza, são imortais, incluso os que fazem uso do Ahada Kadabra.
-
Imortais. – Eu fiquei bestificado, vivem para sempre, o que significa que eles
estão vivos desde o principio do mundo, quão poderosos não devem ser? Quantos
não conhecem? De súbito, me deu uma vontade enorme de também viver para sempre.
-
Você também é eterno Ígneos.
Ele
falou com tanta naturalidade e tranquilidade. E eu recebi com tanto peso e
incredulidade.
-
Está louco! Minha mãe estava certa, você é só um velho louco.
Então
levantei, fiz menção para ir embora, mas me dei conta que estava no topo do
vulcão, e de tão longe eu ainda podia ver o brilho da lava borbulhando na base.
Olhei para trás de o velho sem feições de velho sorria.
-
Quem é você?
-
Eu já te disse uma vez. – Sorriu – Eu sou você.
O
toquei uma vez mais, e a cada toque eu me sentia também, corria minha mão por
seus braços e eu sentia nos meus próprios braços, toquei o rosto e senti o
toque em mim mesmo. À medida que ia tendo essas sensações eu fui ficando cada
vez mais horrorizado. E então disparei:
-
Como pode ser eu!?
Logo
ele quitou toda aquela fantasia de camponês e mostrou seu rosto juvenil. Uma aura
de vermelho fogo o envolveu por completo e crepitava como chamas. E eu sentia
este calor brotar de mim mesmo. Então olhei para meu corpo ele estava envolto
nesta mesma aura. Uma energia tão poderosa, tão grandiosa, que me fez sentir-me
um deus.
-
Eu sou Ígneos. – Disse o senhor. – Sou o deus do fogo, filho Caufo, o deus dos
Sóis e Janaina deusa das nuvens.
Balbuciei
ao tentar falar.
-
Mas se você sou eu, então eu sou o deus do fogo? – estava perplexo com a
conclusão.
Ele
viva sorrindo.
-
Você é a minha reencarnação. A maioria dos deuses se reencarnam para estar mais
próximo de seu povo, e também para evoluir. E escolhemos Kharin, porque era um
mundo novo e sem divindade.
-
Mas porque somos dois no mesmo lugar. Se eu sou você porque posso ver-te?
-
Acaso não raciocinais? – Sorriu. – Eu sou você no futuro, estou próximo de
voltar à morada dos deuses e voltei porque acredito que seja melhor que você
saiba ser um deus desde agora. Na minha realidade, a descoberta foi depois de
uma luta quase mortal com outros seres divinos, e você aprendeu muita coisa
sozinho. A partir de hoje quero que você se dedique a ser um herói, a
desenvolver seus poderes, e ele só vem quando você se torna apto para receber
energias divinas.
-
E como farei isso? Eu não tinha ideia nem sequer que tinha poderes, quanto mais
poderes divinos.
Sobre
sua aura vermelha brotou um caderno.
-
Este foi meu diário, nele tem tudo que eu fui aprendendo desde que descobri que
era um deus. Ele te servirá para desenvolver-se mais rápido e te ajudará nos
problemas que estão para acontecer.
-
Do que você está falando?
Ele
me abraçou bem forte e aos poucos suas energias foram sendo transferida para
mim mesmo. Sobre o futuro, existem coisas que ele preferiu não me contar. No fundo,
dentro de algum lugar no meu inconsciente eu podia sentir a mim mesmo no
futuro. E me perguntava o que será que estava acontecendo lá no futuro que fez
com que eu voltasse ao passado para revelar-me quem sou eu. E que inimigos eu
encontraria no caminho, que problemas estariam para acontecer. Mas de uma coisa
eu tinha certeza, eu senti o âmago do poder, e logo antes de voltar a minha
casa e contar a novidade aos meus pais, passei na sala de inscrição do torneio
e me inscrevi para representar Volkanlar Kara no torneio da Arena.
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