sexta-feira, 4 de março de 2016

Reveletion of Power

Kharin, Reino de Volkanlar Kara

A expressão do senhor se assemelhava muito a mim mesmo, nossa cor de pele, morena, nossos olhos negros, e agora comecei a me atentar mais que ele só se vestia como velho, mas seus traços não eram tão antigos.
- Porque eu não fui sacrificado aquele dia?
O senhor olhou um tempo às estrelas, e como que não importando com a minha pergunta começou a dizer.
- Essas constelações são tão diferentes das que você havia acostumado a conhecer. – Afirmou como se estivesse falando de si mesmo. – Uma pergunta, Ígneos, se sente encaixado em este mundo?
De verdade eu nunca me senti cômodo, por mais que eu ame a meus pais, me sinta bem ao lado deles, eu sempre senti que algo faltava; depois que me revelaram sobre as Muralhas da Resignação, pensei que talvez esse vazio exista porque de alguma maneira estou ligado a todo o incidente.
- Sinto que alguma coisa falta ser preenchida.
Ele levantou e começou a caminhar, subindo pelo vulcão extinto.
- Você não foi sacrificado aquele dia porque é filho do fogo.
- Eu não compreendo o que me esta tentando dizer com filho do fogo. Eu nasci de meus pais humanos.
- Eres humano, mas sua essência é divina. Que deuses você conhece meu jovem?
- Em Kharin só existe uma deusa, Misgijai, deusa da magia, personificada em sua filha Sakura Nihai, lendária que vive no continente Nihai a sudeste de Humanun Terrae (continente onde vivem os humanos em Kharin). Até os lendários usuários de Ahada do continente de Summi a respeitam.
- É certo. Mas não significa que não existam mais. Kharin foi criada faz uns mil anos após uma guerra em outro mundo que quase colidiu com a destruição do mesmo. A criação de Kharin surgiu graças ao esforço de grandes mago que usaram todas as suas forças para criarem este mundo como um alternativo caso o outro fosse destruído.
Estava-me sendo revelados segredos que eu nunca havia imaginado, me perguntava a todo o momento quem era este homem que conhecia tanto, e que tanto falava de deuses, e porque contava a mim, será que tinha algo haver com as Muralhas da Resignação.
- Os que vivem em Summi nada mais são do que os descendentes dos criadores de Kharin.
Eu fiquei espantado, não sabia que Kharin era tão jovem, e tampouco que seus descendentes diretos vivem no continente de Summi.
Ele sorriu. – Tem mais um detalhe que você mesmo vivera para ver. – Agarrou e apertou minha mão. E sua mão se parecia tanto com a textura da minha. – Muitos dos que vivem em Summi, os descendentes diretos de dos criadores de Kharin, Nestor e Esperanza, são imortais, incluso os que fazem uso do Ahada Kadabra.
- Imortais. – Eu fiquei bestificado, vivem para sempre, o que significa que eles estão vivos desde o principio do mundo, quão poderosos não devem ser? Quantos não conhecem? De súbito, me deu uma vontade enorme de também viver para sempre.
- Você também é eterno Ígneos.
Ele falou com tanta naturalidade e tranquilidade. E eu recebi com tanto peso e incredulidade.
- Está louco! Minha mãe estava certa, você é só um velho louco.
Então levantei, fiz menção para ir embora, mas me dei conta que estava no topo do vulcão, e de tão longe eu ainda podia ver o brilho da lava borbulhando na base. Olhei para trás de o velho sem feições de velho sorria.
- Quem é você?
- Eu já te disse uma vez. – Sorriu – Eu sou você.
O toquei uma vez mais, e a cada toque eu me sentia também, corria minha mão por seus braços e eu sentia nos meus próprios braços, toquei o rosto e senti o toque em mim mesmo. À medida que ia tendo essas sensações eu fui ficando cada vez mais horrorizado. E então disparei:
- Como pode ser eu!?
Logo ele quitou toda aquela fantasia de camponês e mostrou seu rosto juvenil. Uma aura de vermelho fogo o envolveu por completo e crepitava como chamas. E eu sentia este calor brotar de mim mesmo. Então olhei para meu corpo ele estava envolto nesta mesma aura. Uma energia tão poderosa, tão grandiosa, que me fez sentir-me um deus.
- Eu sou Ígneos. – Disse o senhor. – Sou o deus do fogo, filho Caufo, o deus dos Sóis e Janaina deusa das nuvens.
Balbuciei ao tentar falar.
- Mas se você sou eu, então eu sou o deus do fogo? – estava perplexo com a conclusão.
Ele viva sorrindo.
- Você é a minha reencarnação. A maioria dos deuses se reencarnam para estar mais próximo de seu povo, e também para evoluir. E escolhemos Kharin, porque era um mundo novo e sem divindade.
- Mas porque somos dois no mesmo lugar. Se eu sou você porque posso ver-te?
- Acaso não raciocinais? – Sorriu. – Eu sou você no futuro, estou próximo de voltar à morada dos deuses e voltei porque acredito que seja melhor que você saiba ser um deus desde agora. Na minha realidade, a descoberta foi depois de uma luta quase mortal com outros seres divinos, e você aprendeu muita coisa sozinho. A partir de hoje quero que você se dedique a ser um herói, a desenvolver seus poderes, e ele só vem quando você se torna apto para receber energias divinas.
- E como farei isso? Eu não tinha ideia nem sequer que tinha poderes, quanto mais poderes divinos.
Sobre sua aura vermelha brotou um caderno.
- Este foi meu diário, nele tem tudo que eu fui aprendendo desde que descobri que era um deus. Ele te servirá para desenvolver-se mais rápido e te ajudará nos problemas que estão para acontecer.
- Do que você está falando?

Ele me abraçou bem forte e aos poucos suas energias foram sendo transferida para mim mesmo. Sobre o futuro, existem coisas que ele preferiu não me contar. No fundo, dentro de algum lugar no meu inconsciente eu podia sentir a mim mesmo no futuro. E me perguntava o que será que estava acontecendo lá no futuro que fez com que eu voltasse ao passado para revelar-me quem sou eu. E que inimigos eu encontraria no caminho, que problemas estariam para acontecer. Mas de uma coisa eu tinha certeza, eu senti o âmago do poder, e logo antes de voltar a minha casa e contar a novidade aos meus pais, passei na sala de inscrição do torneio e me inscrevi para representar Volkanlar Kara no torneio da Arena.

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