No continente de Humanun Terrae, na parte
ao sul perto do estreito que liga ao continente de Marhluk existe um complexo
de vulcões há alguns anos inativados. Há 19 anos, em 981, existia uma cidade
que estava em ascensão, chamado “Muralhas de Resignação”, era assim
chamado por que todo ano se fazia sacrifícios aos espíritos que habitavam nos
vulcões para apaziguá-los, e desta maneira se mantinham a salvo de qualquer
erupção que pudesse ocorrer por ira de tais espíritos. Contudo esse reino há
exatos dezenove anos foi destruído pela ira de um dos grandes espíritos que ao
que se pode entender é que a cada ano buscava ele a encarnação de uma divindade
de fogo tão antiga quando a idade dos planetas. Quando enfim nasceu Ígneos e
este foi arremessado contra as lavas ferventes do vulcão, este o elevou sobre
os demais, temerosos todos correram temendo ser mais uma ira larvar, com seu
filho sustento em ar sobre o vulcão, sua mãe desesperada junto com seu pai
agarra-o e fogem, pois não querem perder seu filho, assim que sabendo agora da
existência da encarnação e sabendo da proteção que este tem contra o calor,
chamou ao seus outros espíritos e juntos desceram Lava por toda a cidade que
foi abrasada destruindo a todos que ai existiam, más felizmente Ígneos
conseguiu sobreviver sendo levado por seus pais em cavalos fortes a capital do
reino de fogo. E aí permaneceram sem nada contar a Ígneos.
Eu
sou Ígneos, tenho dezenove anos, vivo em Volkanlar Kara, uma metrópole rodeada
de vulcões inativos, aliás, me lembro que uma vez quando eu completei treze
anos senti que os vulcões pareciam querer entrar em erupção, mas para o bem do
grande medo que eu sentia, ele se acalmou.
Trabalho com meus pais vendendo frutas e
legumes na feira, minha mãe me conta que viemos da antiga Muralhas de
Resignação e que conseguimos sobreviver a uma fúria da natureza e desde então
vivemos aqui.
Ultimamente
com mais frequência ando um pouco paranoico, tenho a sensação de que alguém me
observa, ou me persegue. Ouço histórias de viajantes que às vezes recrutam
aliados em diversas cidades, mas me sinto tão ligado a Volkanlar que nunca
poderia aceitar ficar longe daqui.
Um
dos meus lugares favoritos para se estar é entre os vulcões inativos, sinto uma
grande paz, minha mãe sempre briga quando descobre, mas não posso evitar. Volta
e meia me pego refletindo sobre os vulcões, como neste exato momento. Em meio
aos complexos de vulcões, de aqui se pode ver a cidade toda, ela está no meio
de toda a serra, e por esse motivo que aqui faz mais calor que as demais
regiões. Também não costumamos receber muitos forasteiros, mas ultimamente
existe uma figura que está aterrorizando toda a Kharin. Uma bruxa com uma capa
que esconde seu rosto em chamas arrasou alguns reinos, e dizem que ela passou
por aqui mas não entrou, logo subiu para destruir outros mais.
Os
jogos da Arena de Desafios é a nova moda entre nosso mundo, se eu soubesse
lutar ou então fazer alguma magia com certeza participaria. Hoje provavelmente
estão finalizando para saber quem serão os representantes de cada categoria em
Volkanlar Kara, em outro desafio se enfrentarão um de cada Estado para ver quem
representará Kharin.
Quando
eu estava descendo os vulcões para ir pra casa, esbarrei em um senhor que
parecia estar lavrando a terra no pé do vulcão.
-
Desculpa senhor. – Tentei me redimir
-
Tudo bem Ígneos. – Ele me disse sorrindo. E o que me chamou muito a atenção foi
que ele sabia meu nome, dei alguns passos, mas eu estava demasiadamente
intrigado, tive que voltar.
-
Como sabe o meu nome? O senhor me conhece?
Ele
se apoio na ferramenta e sorriu.
-
Você é o sobrevivente das Muralhas de Resignação.
-
O que? – Perguntei espantado. – uma serie de flashes começou a passar pela
minha cabeça, associado às histórias que eu conhecia do lugar.
-
Você foi à criança não sacrificada. É o filho do fogo, e a sua ida causou a
destruição. – O velho falava com tanta propriedade que de um camponês se ia
transformando num sábio.
-
Eu nunca o vi antes aqui. Quem é você!?
Ele
caminhou alguns passos olhando-me minuciosamente, sorriu novamente, retirou um
enorme chapéu de palha que carregava na cabeça, a coçou e então me disse:
-
Eu sou você.
E
logo desapareceu, outro súbito medo tomou conta de mim e sai correndo no máximo
que eu podia de volta pra casa. Na entrada minha mãe estava terminando o jantar
e meu pai ainda não havia voltado do serviço como comerciante.
-
Ígneos! – Gritou minha mãe. – Você está pálido meu filho, aconteceu alguma
coisa?
Eu
estava com a cabeça tão bagunçada que não sabia se articularia bem as palavras.
O que me disse o senhor me estava corroendo por dentro e eu precisava saber a verdade.
-
Mãe! – Exclamei. – Me conte o que aconteceu no dia do meu nascimento. – Parei para
respirar. – Hoje um senhor de idade me disse que eu fui levado para ser
sacrificado e que fui o sobrevivente das Muralhas da Resignação e que o vulcão
explodiu por minha culpa. – logo começaram a cair lagrimas dos meus olhos, os
flashes voltavam, o fogo, e a sensação de leveza que eu sentia.
Minha
mãe sorriu, tentando parecer que meus pensamentos tinham sido estúpidos.
-
Filho, deve ser só um velho maluco. – sorriu novamente. – vivíamos nas
Muralhas, mas viemos embora antes do acontecido.
Meu
pai então chegara neste momento e havia escutado parte da conversa.
-
Melhor não mintamos mais minha esposa. – Disse meu pai tomando posse da conversação.
Meu
pai me contou dos sacrifícios anuais que se faziam na cidade, e que eu era para
ser um dos sacrificados, mas aconteceu que o vulcão me sustentou no ar, e
temendo o que podia acontecer, minha mãe me pegou e então fugimos. Imediatamente
o vulcão começou a dar sinais de erupção e então aconteceu, o rio de lava que
devastou toda a cidade.
Eu
recebi a noticia aturdido com o que me estavam contando. E de certa forma eu
parecia lembrar. O jantar foi bem quieto, e eu estava imerso em meus
pensamentos. Quando fui deitar não pude dormir, porque os flashes de minha infância
me atormentavam e eu só podia encontrar uma pessoa para me acalmar. Assim que
me vesti e voltei correndo para o vulcão, estava na esperança de encontrar o
senhor de outrora. Mas não o vi, fiquei uns cinco minutos apreciando os pés do
vulcão. Ate que de trás de uma rocha vinha o senhor.
-
Que bom que vieste meu rapaz.
Eu
então sorri. Lembrei que quando lhe perguntei quem era ele me disse que era eu
mesmo, então lhe perguntei:
- Como o devo chamar?
-
Chama-me de Senhor.
Então
sentamos no monte e começamos a conversar.
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