Nord,
Reino da Itália
Ainda sobre a monarquia
vampírica, eu nunca me senti encaixado naquele universo de regras, eu queria
mesmo era me aventurar por Nord, meus Sires (senhores vampiros) diziam que
utilizamos os mesmos métodos que nossos antepassados na Terra, e que eles
atravessaram milênios seguindo essas regras básicas, contudo, estar em Nord é diferente,
este é um mundo de seres mágicos e poderosos, está certo que também somos
vistos como certas ameaças e alguns nos caçam por puro prazer, mas não é como a
Terra, talvez se saíssemos mais das sombras até nos respeitariam, ocuparíamos nosso
espaço.
Mas é algo absurdo para
os Sires e com o conselho em geral. Em modo geral um vampiro vive uma vida
solitária, os seres em si são mais egoístas o procurando quando a tarefa é
demasiada árdua. Também somos vampiros muito jovens em Nord e talvez ainda
tenhamos que aprender a não temer, ou a cooperar.
Eu me chamo Alberto,
sou um Toreador, apaixonado por viagens, por arte e cultura, e é por isso que
tanto me aborrece estar limitado as regras da Camarilla. Sou um vampiro há oito
anos e também desenvolvi alguns poderes psíquicos. Também posso ter alguns
flashes sobre o passado e o futuro; tenho uma velocidade bem superior a media
dos vampiros e minha presença sempre é bem sentida e respeitada por onde passo.
Também tenho uma habilidade peculiar, e que muito assusta a outros vampiros,
com a mente eu sou capaz de fazer algo ou alguém pegar fogo, e é por isso que
alguns vampiros preferem manter a distancia de mim.
Eu fui percebendo que o pior lugar
para se viver era aqui, na Itália, porque os senhores se localizam aqui, a
Camarilla está aqui, para quem gosta do conselho e de estar sempre
participando, talvez esse seja o melhor lugar, mas para mim que quero afastar,
eu deveria ir para longe.
Assim que sai somente com a roupa
que estava no corpo no cair da noite de um dia qualquer. Como havia dito antes,
tenho uma velocidade muito alta, então comecei a correr, o máximo que podia, eu
passava pelas casas percebendo-as como borrões, as pessoas mesmo eu não as via,
nas áreas de bosque tive que tomar mais cuidado para não topar. Mas estar na área
de mata era um alivio a sensação de liberdade, eu acredito que no fundo todo
vampiro anseia por essa oportunidade. Alias, todo ser vivo anseia a liberdade
depois de morto, e era o que me representava neste momento. Eu não precisava
respirar, mas neste momento eu quis encher meu peito com todo este ar puro, eu
podia ver arte em todos os lugares, e me arrependi de não haver trazido algum
caderno e penas para desenhar de vez em quando.
Quando se é um vampiro de casta,
existem reuniões e discussões a serem feitas o tempo todo, principalmente sobre
o destino da ordem. E eu sabia que quando se dessem conta de que eu não estava
mais presente, enviariam alguém para me julgar. Ainda era madrugada e eu
precisava correr e encontrar abrigo para passar o dia. Então acelerei até uma
vila próxima. Na primeira estalagem que encontrei me abriguei. Fui bem tratado
pelo dono que ao ver minhas roupas pensou que eu fosse um fidalgo.
Fugir da luz do sol é uma das
piores desvantagens de ser vampiro, somos obrigados a viver sob a escuridão e
não podemos nos misturar aos filhos de Adão por não ter uma vida diurna, e isso
nos torna ainda mais solitário.
Alguns vampiros de descendência divina,
não precisam se esconder da luz do sol, mas nem sequer se alimentar, então só
pegam as partes boas de serem vampiros, não fazem nem mesmo parte da Camarilla,
porque a considera inferior a eles mesmos. Outro ponto importante é que se seu
Sire morre, toda a geração dele também padece, não existe como desfazer essa
ligação de sangue, mas ela existe, por isso é muito difícil ver um vampiro
atacar a outro, porque morrem muitos membros. Mas a controladoria de Sires
também se da pela Camarilla, não podemos simplesmente transformar por bem
entender, e ai entramos em regras de novo.
Bom, me instalei no quarto e fechei
todas as janelas, coloquei a cama um pouco mais para perto de espaço que daria
ao banheiro, por parecer ser a parte mais escura do cômodo, e não poderia eu
ser interrompido por nenhum ser humano durante todo o dia, porque a luz ainda
que fraca, chega até a porta, onde provavelmente notariam que não sou como eles,
então teria que mata-los para viver.
Durante o dia não existe muito que
fazer para um vampiro peregrino, a não refletir sobre sua nova vida imortal,
ainda não fui capaz de apreciar muitas transformações, porque como o havia
dito, só fui transformado há oito anos. Talvez se perguntem como fui
transformado, o que também não é um segredo.
Como eu era apaixonado por arte,
gostava de visitar museus e lugares que para mim representavam a arte, como o
próprio coliseu, que, aliás, aqui, os vampiros muito usam para escolher seus
melhores vampiros guerreiros, porque logo após a batalha, os agraciam com a
vida eterna e profana.
Fui numa dessas viagens artísticas pela
Itália que conheci Dãcan. Um tipo alto, loiro e olhos claros, possuidor de um
corpo bem atlético, bonito, tanto quanto sua arrogância e conhecimento.
Ele me apresentou grandes obras de
artes e falava delas com muita propriedade e clareza, tanto que fui emocionando
com suas palavras. Chamou-me para ir jantar uma noite, mas não me havia contado
que eu era o prato principal, então depois de seduzir-me, e fique claro que eu
não sou gay, mas dentro de cada um de nós reina uma bissexualidade, e eu gostei
dele por ser tão inteligente e conhecer de arte. Quando estávamos no ápice,
Dãcan cravou-me a mordida fatal, eu ainda não havia percebido, mas durantes os
beijos ele havia mordido seus próprios lábios e me embebedado com seu sangue. Ele
sugou quase todo o sangue do meu corpo, e quando enfim pensei que ia dessa para
melhor, morri, e então ressuscitei, eu era um vampiro, sedento por sangue, e
durante o primeiro mês, Dãcan me ensinou como viver, me apresentou ao conselho
e a todas as regras, no começo tudo era muito artístico e novo, e eu estava
impressionado. Ele é um Sire do conselho maior, representa todos os Toreadores,
e logo ele foi se afastando e eu não pude evitar, e também estava magoado com a
maneira com que fui usado, e então, uns dois anos depois eu já havia me
acostumado a viver como vivo, a ser o que sou, dominei minha sede por sangue e
minhas habilidades então afloraram, não contei a ninguém para evitar que me
coloquem na Milícia Vampírica, geralmente os que desenvolvem dons são lançados
para lá.
Logo anoiteceu, e alguém como eu
também estava na pensão. Imediatamente comecei a sentir o cheiro de sangue
espalhando por toda a pensão. Desci rapidamente e deparei com outro vampiro,
ele me olhou assustado e logo sorriu, tentou ocultar-se com magia, mas o
deflagrei fazendo que ao seu redor entrasse em chamas, então de verdade se
assustou. Trocamos ameaças, e então me disse que era um Caitiff, vampiros que
vivem fugindo por ter abandonado a casta, e eu não me senti tão diferente dele,
aliás, vi nele um potencial amigo. Desfiz as chamas e decidimos sair juntos
para o mundo. Terminei de me alimentar dos que ele havia matado e então
seguimos na noite escura em direção à França.
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