O
estrondo era a produção de um trovão grandioso que atingiu em cadeia grande
parte dos guerreiros, e quatro deles não aguentaram a descarga e caíram
eletrocutados no bosque. Logo ela sorriu e as luzes no céu ainda chacoalhavam
as estruturas de cima.
Jeft
estava profundamente sentido com o que acabara de acontecer e isso lhe deu mais
gás para poder continuar, agora possuía um motivo pessoal para acabar com a
bruxa.
Zion
preparou seus arqueiros e num único movimento todos dispararam contra a bruxa,
vinte e duas flechas bem posicionadas seguiram o fluxo a partir de seus arcos
compostos, ao se aproximar, a bruxa levantou a voz num encanto e elas foram
perdendo a velocidade e algumas caíram antes de atingi-la, mas felizmente
algumas resistentes seguiram seu trajeto, não foram golpes mortais, mas
descobriu parte de seus trajes, e outro alcançou sua perna e braço.
A
Bruxa finalmente mostrou parte do seu rosto. Seus
traços finos e delicados sobre sua pele branca e o contraste de seus olhos
azuis faziam dela uma bela jovem. Alguma coisa em seu olhar me fazia acreditar
que não era verdadeiramente ela, existia algo mais, algo além, mas eu não
saberia explicar.
Jeft correu para aproveitar o momento de distração e
num salto desesperador ele tentou cravar sua espada, mas a bruxa agarrou o
instrumento com as mãos, e ainda que com elas sangrando, lançou-o para longe. E
quando suas mãos pararam alguns segundos no ar, Zion mandou sua flecha que a
atravessou. A Bruxa então urrou de dor. Neste desenlace, Losz olhou para os
céus e assumiu o controle, enquanto isso, Soiane lançou benevolência para
acalmar a bruxa, e bravura para fortalecer os lutadores. Quando senti essa
onda, corri para cravar minha espada na bruxa, mas ela percebeu meu golpe e
antes que eu a chegasse, me lançou para longe, a atingi de raspão, mas o raio
que veio sob o comando de Losz a atingiu em cheio, fazendo-a ajoelhar.
Ela então se virou para os arqueiros, uma densa
nuvem de névoa começou a surgir, dificultando a visão. Ela precisava recarregar
suas forças após tantos ataques. Losz tratava de dispersar a névoa, mas não
estava tendo êxito. De repente uma linha de chamas atingiu os arqueiros em suas
posições, parecia que sua estratégia era derrotar alguns e ainda tentar queimar
seus equipamentos. Dois dos arqueiros não resistiram.
Os guerreiros, os arqueiros e as magas que ainda
restavam combinaram seus poderes de ataque e avançaram, e eu lógico, não fiquei
de fora, agarrei minha espada e juntos conseguimos imobilizar a bruxa. Losz
criou uma jaula de eletricidade e a ideia era interrogá-la.
Então a levamos para a vila, Zion e eu nos
encargamos dessa parte, Losz nos deu braceletes encantados para que pudéssemos
sustentar a jaula. Enquanto Jeft e seus guerreiros levavam os que morreram e
foram feridos para dentro da vila. Colocamos dentro da torre da maga e Losz
tomou partido.
- Parece que seu plano não deu certo, bruxa.
Ela simplesmente sorria, possuía um olhar vago e
tranquilo. E eu já havia visto este olhar antes, se assemelhava muito ao de
Garot, ao menos ao dele antes da fúria.
- Qual o seu nome? – Perguntou Losz perdendo um
pouco a paciência.
- Amanda. – a bruxa disse calmamente, como se
estivesse lembrando-se de quem realmente era.
- E o que pretende fazer aqui?
Ela pareceu pensar um pouco antes de responder.
- Não sei o que faço aqui. – Disse parece que
recobrando a consciência de si mesma. – Undo
Obice!
Então toda a barreira antes posta se desfez, bem
diante dos olhos de todos, Losz ficou sem saber o que fazer e Soiane direcionou
seus poderes de benevolência para apaziguar Amanda.
A bruxa levantou as mãos para o alto e ao baixar com
exasperação gritou: in cárcere!
Logo grades de ferro frio surgiram em volta de cada ser
que estava ao redor da bruxa. Losz e Soiane tentaram sortilégios para
soltar-se, mas não foram capazes. As armas dos arqueiros não passavam pelas
grandes que estavam magicamente encantadas.
- Não percam seu tempo! – Gritou Amanda. – O que eu
estou fazendo aqui?
Todos ficaram aturdidos com essa pergunta, porque
igual se questionavam. Estava claro que Amanda não veio por si só, e que a
estavam controlando.
- Do que exatamente você se recorda Amanda? –
Perguntei assumindo o controle da investigação.
- Eu me lembro de uma fênix negra, de como passeamos
por minha cidade em Sant Andrew e depois não me lembro de mais nada.
- Sabe em que mundo está? – Perguntou Losz
Ela pensou um pouco e voltou a sorrir incrédula.
- Estamos em outro mundo? É sério? Não estamos na
Terra? – disse histérica.
- Não Amanda. – rocei a garganta. – Você está em
Kharin. E estava prestes a matar todos nós e destruir nosso reino! Caso não se
lembre.
Seu rosto ficou nitidamente aturdido.
- E porque os mataria? Cadê a Fênix?
- Não temos ideia do que você está falando. – Entrou
Losz. – Agora, por favor, tire-nos dessa prisão.
Ela pensou um pouco, mas sentiu que podia confiar, e
de que tudo se tratava de uma grande confusão.
- Undo Obice!
E então todos foram libertados.
Losz chamou Amanda para seu castelo, e foram
acompanhadas de mim, do Zion e do Jeft. Os demais se puseram em volta da torre,
caso a bruxa perdesse o controle novamente. Losz a convidou a sentar, pediu que
ela contasse novamente sua história e perguntou se a Fênix que se comunicava
por via telepática, havia dado um nome.
- Ela me dizia que seu nome era Toni Drew, me falou
sobre os mundos, sobre o submundo, sobre raças e também sobre Kharin.
- Este é o mundo que estamos Amanda. Estamos em
Kharin. – Disse Losz.
- Eu não entendo porque estava atacando este mundo e
como fui controlada. Eu tenho mais de cem anos de bruxaria. Teria que ser alguém
de muito poder.
- Isso explica muita coisa. – Eu disse. – Por isso é
tão poderosa. Quem quer que seja que tenha te controlado, o fez para que você destruísse
Kharin.
Ela pensou um pouco e ao fim falou.
- E eu descobrirei quem o fez e o farei pagar, e
temos uma pista. Veio disfarçado de Fênix.
- Para magos tão poderosos, só existe um lugar que
você pode buscar. O Reino de Cyntaf. – Disse Losz.
- E eu irei contigo, para te mostrar o caminho. –
Disse eu. – E antes de mais nada, vamos consertar sua roupagem.
- Restituere Vestimentum.
– Disse Amanda. – Então tudo estava como novo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário