quarta-feira, 30 de setembro de 2015

John e Silas

Existia um senhor de terras que vivia com sua família numa fazenda, era ele um humano normal que se apaixonou por uma bruxa do sol, alguns dizem que ela é a descendente do Old King Wen Li, sendo assim, uma Ourun (filha do sol).

Ele chegou a fugir com ela de seu coven (se entende por essa palavra, uma associação de bruxas que possuem certo grau de afinidades). Foram perseguidos quando descobriram da paixão e também quando se inteiraram de que ela estava gestante. A perseguição só parou quando a Bruxa deu a luz a dois jovens bebes feiticeiros, ai sentiram que o sangue não havia enfraquecido.

Aconteceu que após a exclusão, eles foram viver nas grandes fazendas do rapaz que já era muito rico por haver herdado a fortuna de seu pai, sendo ele filho único. E foi neste cenário que nasceu os gêmeos Christine e John Willer.

Como já foram explanados anteriormente, eles cresceram recluso, serem filhos de uma bruxa não era uma tarefa fácil, as pessoas temem aquilo que não podem compreender ou possuir. Com medo de que o coven ou os seres humanos normais fizessem algo contra seus filhos, os pais muito cuidavam para que eles sempre tivessem em segurança, a vista de todos.

Com eles também viviam um casal de caseiros que ajudavam a manter a fazenda num perfeito estado, além de outros empregados. Mas este em particular chama atenção, porque ele tinha um filho um pouco maior que John. Alto, branco, olhos quase cinzas e marcado por uma personalidade marcante, ele se chamava Silas.



A amizade que se instaurou entre ele e Silas era impresso por uma devoção, por auxilio mutuo, eles muito se queriam. Talvez fosse por este ser o único amigo que lhe permitiam seus pais.

Houve um dia em que John e Silas brincavam nos arredores, e estavam longe dos olhares dos cuidadores que mais se preocupavam com Christine por ser uma garotinha.

Colocaram-se por em cima de uma arvore e provocavam um ao outro para ver quem mais subia, e dentre as provocações, faziam caretas, soltavam a língua, mostravam as nádegas e até mesmo o pênis. E era seguido de espanto e logo risos as reações.

Como John possuiu dons especiais, ele conseguiu estar a frente de Silas, apesar de que este ultimo possuía uma agilidade fora do comum, sem falar na astúcia. E era ligeiramente mais velho que o filho do fazendeiro.

Não aceitando a superioridade de John, Silas tentou de todas as maneiras passá-lo e ir num ponto quase inacessível, e o pior aconteceu, seu peso foi superior ao que suportara o galho, assim que se rompeu e Silas veio caindo e bateu com muita força as costas no chão. A grama alta amenizou sua queda, mas de pronto ele perdeu o ar. John desceu o mais rápido que pode para socorrer o amigo.

John se acercou a Silas, e notou que ele estava com a pele azulada, se desesperou a um principio. Mas John sempre foi bom em manter-se a calma, logo o colocou numa posição sentada, e com rápidas inspirações Silas foi voltando ao normal. Ele sentia uma dor moderada em toda coluna, mas ter John ali cuidando dele, algo que ele costumava fazer a seu amigo. Esse sentimento de retribuição confortou Silas.

John se aproximou mais para ver se seu amigo estava mesmo bem, queria ele sentir a respiração que agora saia de suas narinas. Foi então que ele percebeu estar muito próximo de seu amigo, e sua boca seco, assim como de Silas, que ao abrir a boca foi preenchido pela de John. Então experimentaram uma sensação mágica de medo e prazer, as respirações se tornaram mais ofegantes, e com os olhos fechados sentiam o toque macio dos lábios e das mãos que agora passeavam pelo pescoço e peitoral de ambos.

Quando apartaram, se entreolharam e o rubor tomou conta. John estava muito assustado, e Silas sentia-se excitado. Prometeram que aquilo nunca mais aconteceria e que ninguém devia saber do que havia passado neste dia.



Calçaram seus chinelos e voltaram para suas casas. Neste fim de tarde Silas não parava de pensar em John. E este não conseguia explicar aos pais o porquê de estar tão raro na hora do jantar.

Silas decidiu durante a noite que contaria a John o que sentiu quando se beijaram, e o quanto lhe interessava cuidar de seu amigo. O quão estaria feliz se eles pudessem não perder essa amizade. Que John era seu melhor amigo, e que não se importava com o que acontecia, e mais, que até o tinha gostado.

Porém ao amanhecer, Silas percebeu a chegada de um carro a fazenda, parece ser um irmão de coven da bruxa do sol, ele resplandecia como ela, e tinha uma filha. A bruxa fez questão de apresentar seu amigo a todos os empregados do castelo, assim como sua sobrinha Sarah Sunm.

Silas não poderia esperar para estar só com John, agora com essa visita, então teria que esperar outra oportunidade para poder dizê-lo tudo o que estava sentido.

 E aconteceu que este foi para o mesmo lugar onde aconteceu o beijo e subiu na arvore para recordar os momentos mágicos que passou, entendeu o que significava as provocações, lembrou-se de como ajudou a criar John, e de como se dedicou a cuidar de seu amado.

Silas não percebeu que havia escurecido, e quando tratou de descer, uma vez mais se tropeçou e outra vez caiu, mas dessa vez foi socorrido por uma criatura bela, de olhos penetrantes e cabelos longos, toda vestido de negro.

O que faz tão tarde só nos arredores do nada? – perguntou a criatura que agora mostrava seus brilhantes dentes pontiagudos.

Silas já tinha escudo histórias de vampiros ao redor do reino, mas não imaginou que fosse verdadeira, ele sentiu que ali seria o seu fim. Mas a vampira viu algo, mas além do pudéssemos imaginar. Ela viu um potencial em Silas, sua sagacidade e seu poder oculto.

Ela então se apresentou com o nome que eu já vos havia mencionado a algumas folhas atrás, Diabolin. Ela é a única vampira em toda a Nord, ao lado é claro de Lord Vlannytic. Explicou que Silas viveria para sempre, que teria força e velocidade inimaginável, e que um poder ainda oculto se manifestaria. Mas que tudo isso era precedido de uma dependência ao sangue humano, que teria que viver do sangue de outras pessoas.

Silas então pensou que com isso superaria o filho da bruxa, e que também poderia um dia transforma-lo e juntos viverem para sempre.

Diabolin o transformou no terceiro vampiro de Nord, e ele despertou seu poder, teve que fugir da luz e das pessoas que amava, porque a sede era incontrolável, assim viajou Nord ao lado de Diabolin a quem lhe ensinou os poderes que desenvolve um vampiro, falou sobre Tenebras, e que eles eram em numero de três em Nord, mas que de a pouco seriam inúmeros. E também falou da mascara, de como é importante preservar a identidade e de como não é vantagem transformar vampiros, eles precisavam manter a cadeia alimentar em pé de igualdade.
E Silas sonhou em um dia trazer seu amigo John para o seu mundo, e assim o tentou fazer anos mais tarde. Como veremos em outros capítulos.

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