domingo, 22 de novembro de 2015

Capitulo 10 - Em Outro No Mesmo Lugar

Terra - Sant Andrew/ RS - 2015

Nesta madrugada comecei a leitura do livro das sombras de minha irmã, as letras estavam um pouco embaçadas como num mecanismo de defesa do próprio livro que não estava tão seguro de que era ela a leitora. Sentei-me à mesa da biblioteca a meia luz e me concentrei tentando encontrar uma saída, então eu foliei as primeiras páginas e fui para o final, ali ela demonstraria as sensações que estava sentindo antes de ter desaparecido.

“Há alguns dias me deparei com uma criatura alada, de plumagem negra brilhante, parecia uma ave longa e altiva, com bicos finos e proeminentes e as penas do rabo eram compridas e de um color uniforme. Se parecia muito as fênix dos contos.”

Eu já havia vivido um tempo considerável, e algumas criaturas fantásticas de fato existiam, mas a fênix era realmente uma revelação, ou minha doce irmã havia sucumbido à loucura, ou estava em meio a uma descoberta. Mas isso ainda não explica o sumiço. Então voltei à leitura.

“Quando comecei a fazer interrogações a mim mesmas sobre a criatura que me visitava, percebi que ela podia ouvir meus pensamentos, porque ela era capaz de se expressar com a cabeça ou com gestos delicados de suas asas. Aos poucos ela me foi suspendendo no ar com algum tipo de força psíquica, quando percebi que ela me levava para fora do quarto, recitei um encantamento para que tornássemos invisíveis ‘Circulo de luz, circulo de poder, por um tempo deposito minha cor, por favor, devolva-a ao meu dizer, torna-me invisível, faça-me movimentar sem ninguém perceber’. E rondamos o céu de Sant Andrew de uma maneira única, incrível, indescritível, a leveza que ela proporcionava. Quando estava terminando a noite ela me levou de volta ao quarto e num tipo de mini explosão ela desapareceu. Eu soube ali que ela não pertencia a nosso mundo. Eu sempre soube que havia dimensões e camadas leves e densas no nosso universo, mas não havia imaginado mundos viventes como o nosso, e estava realmente encantada, e então se despertou em mim uma nova curiosidade.”

O que ela quer dizer com essas palavras, logo após essa declaração, só existe um feitiço escrito por ela, mas sem nome, e o que quer dizer? Será que invoca o tal pássaro? Ou será que me leva para aonde ela esta? A única maneira de descobrir é voltando a ter com Margarida, ela será capaz de conjura-lo.

Recopiei numa folha o feitiço e fui atrás d bruxa. Estava dormindo quando a incomodei. Ela abriu a porta um pouco contrariada com a hora, mas pôde ser compreensiva, afinal, eu estou no desespero para saber o paradeiro de Amanda.

Logo que entrei a sua casa, ela me encaminhou para o jardim, trouxe consigo utensílios de trabalho e começou a conjurar os círculos e encantamentos de proteção, invocando os guardiões das torres. Em seguida neutralizou-me para que eu fosse capaz de adentrar ao interior do circulo, afinal, sou um vampiro, e para eles sou tido como uma criatura das trevas.

- Dê-me o feitiço Eder! – Exclamou a bruxa, vamos descobrir do que se trata.

Ela o agarrou e começou a recitar as palavras encantadas, o circulo se encheu de luz, e por alguns segundos aquilo começou a me incomodar, sentia minhas células regenerando de maneira rápida para evitar uma possível destruição. Mas confiei em Margarida.

De repente pesadas correntes negras começaram a enredarem em meus braços e pernas, uma ventania tomou conta do lugar, e outro circulo muito maior com um monte de runas no interior de seu anel surgiu, e uma palavra peculiar se mantinha fixa em minha mente “Kharin”.

Então pude perceber outra realidade, um lugar como a Terra, talvez diferente em relação a algumas plantas e flores que posso ver. Mas possui céu e terra. Não conseguia ver o tal pássaro negro e tampouco a minha irmã.

- É um portal Éder! – Gritou Margarida do lado de fora do circulo. – não posso te dizer que ai encontrará Amanda. E simplesmente o que sugere o último feitiço por ela escrito. Não serei capaz de sustenta-lo por muito tempo, então terá que tomar uma decisão. Quer retornar? Ou seguirá a caminhada?

Eu não tinha muito que pensar era a única pista sobre o paradeiro de minha irmã, se ela avançou novos mundos por exploração ou porque fora sequestrada, eu precisava descobrir. Então disse a Margarida que ficaria então avancei alguns passos e me vi completamente em outro lugar, e aquele nome que eu os havia dito no principio continuou fixo em meus pensamentos, Kharin.

Eu estava em um campo aberto, com gramas baixas e espécies de arvores com diversas cores, algo que eu jamais havia visto na Terra. Era igual que aqui, um único céu, uma única lua, e com seus milhares de estrelas. Não via nenhum ser vivo e então segui caminhando, pude ver alguns animais silvestres, bem parecidos com os que temos em nosso planeta. Mas adiante comecei a ver construções, e parecia que agora eu estava dentro de um filme, são construções das do tipo medieval na Terra, castelos e casas da plebe feito de barro, ou às vezes de troncos de arvores e palha, antes de alcançar a dita civilização, também encontrei uma base de sustentação agrícola, com plantações de trigo, cevada, arroz entre outras leguminosas. Deduzi que ao menos em essa realidade alternativa já não eram mais nômades, já disfrutavam de uma vida sedentária. Ao ver o castelo no monte, concluí que o sistema político é sobre reis e rainhas. E uma coisa não saia da minha cabeça, que faria Amanda neste lugar, ou estaria em busca de algo muito precioso, ou não conseguiu mais voltar, uma vez aqui dentro. Alias, essa era outra indagação, como eu voltaria?

Outro ponto que preocupava, é que logo amanheceria, e isso poderia significar meu fim. Tratei de alcançar logo a sociedade. As pessoas me olhavam estranhas e curiosas, eram típicas de cidades provincianas, que quando um ser estranho chega, já é motivo de conversas, indagações e conceitos prévios. Procurei uma estalagem e um senhor de idade avançada estava sentado.

- Procuro um lugar para repousar. Vim de muito longe, e este fora o lugar mais próximo que encontrei. – Outra coisa me incomodava, eu comecei a sentir muita sede, não por água, por sangue.

- Claro senhor, temos um quarto. Como você se chama? – Perguntou cordialmente o senhor.

- Sou Éder Marques.

Ele ajeitou os óculos e anotou meu nome curioso. Logo algo que o incomodava foi exteriorizado.

- Primeiro terá que pagar!

E eu não tinha ideia de como se faz isso neste lugar.

- Perdão senhor, mas qual é a moeda de troca? – Tudo o que eu tinha no bolso eram reais.

Antes que o senhor tivesse a chance de me responder, um senhor de mais ou menos um metro e oitenta desceu as escadas da estalagem. Senti o medo que sentia o dono do estabelecimento e comecei a preocupar-me.

- Venha comigo meu rapaz. – Disse essas palavras com os olhos fixos em mim, e parecia atravessar-me.

Não tive outra reação a não ser acompanha-lo.

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