Eu
parti para a direção oeste que mais me deixaria perto da comunidade mágica das
fadas, o lugar secreto protegido pelo protetorado. Como vocês sabem, eu me
chamo Claus, e sou um Andaluz.
Eu
estava em uma parte que recém havíamos dominado os territórios dos Andaluzes de
Planta, bem próximo ao protetorado protegido por um Cavaleiro Divino e um Homem
de Cristal. Quando desci deparei com um ser de constituição diferente a nossa,
se notava pela sua cor parda amarelenta, possuía muitas similitudes, como mesmo
numero de membros, mas eu sabia que ele não era um Andaluz. E do meu reino para
baixo ele já havia dominado uma grande parte.
Quando
me aproximei ele não se espantou com a minha aparência, mas tampouco parecia amigável.
Suas mãos se transformaram em rochas e eu fui obrigado a incendiar-me. E convoquei
meus seis elementais. O rapaz num movimento apontou as mãos e esticou os dedos
na minha direção e foram disparados dardos de pedras, meus elementais entraram
na frente e aonde os dardos fixavam não havia chamas. Então aprendi que seu
elemento anula o meu.
Precisava
ser mais esperto, eu estava em maior número, podia vencer. Então separei os
elementais para cerca-lo. Somos sete e ele só tem duas mãos. Então pouco a
pouco fomos realizando ataques simultâneos com bolas de fogo, ele era muito
inferior na velocidade e aos poucos sua vantagem elemental foi se tornando
nula, quando partes do seu corpo começaram a queimar, e ele não tinha energia
suficiente para transformar todo seu corpo em rocha. Realizando os ataques
também fomo-nos aproximando e o cercando cada vez mais, comecei a imaginar toda
a área dominada dele, e como seria gratificante se ela pertencesse a mim. Quando
enfim ele já não podia mais lutar, e já o havíamos cercado, faltaria somente o
ultimo golpe.
-
Eu não posso morrer! – Ele exclamou esbravejando.
Não
fiz questão de respondê-lo, então nós sete demos as mãos e conjuramos um enorme
circulo de fogo, que nos mesmo instante pareceu incinerar tudo, o cheiro das
roupas e de sua carne queimando. Havíamos conquistado seus domínios.
E
a criatura estava desmaiada e nua na nossa frente, e sua pele, suas vísceras e
carne estavam regenerando. Eu não podia acreditar no que estava vendo, nunca
havia acontecido coisas assim em Andaluz. No final de sua restauração, ele
estava desmaiado, mas inteiro. Então absorvi os elementais e tratei de leva-lo
para meu reino.
Ele
dormiu por trinta e seis horas. Eu ainda não podia acreditar que ele estava
vivo. Ele dormiu no meu quarto, e eu estava em guarda para quando ele
acordasse, para dar-me explicações.
Passado
as horas que o relatei finalmente começou a abrir os olhos, logo invoquei meus
elementais e mantive o cerco. Ele parecia sedento, então um dos elementais o
trouxe agua. Ainda parecia confuso quanto ao tempo e o espaço, mas em questão
de minutos ele foi lembrando-se do que aconteceu.
-
Onde estou? – Perguntou sem demonstrar alguma preocupação. Ele tinha um sotaque
diferente, mas sabia falar minha língua.
-
Você está em meu reino, sou o Rei Claus – o Conquistador. Tivemos uma batalha
onde eu o venci, o incinerei, mas você sobreviveu. – Eu não pude disfarçar
minha cara de espanto ao externalizar essas palavras. – Como você fez isso? Se eu
tivesse essa capacidade seria invencível e imortal.
Ele
sorriu. Via-se incrivelmente confortável. Talvez sabendo que não pode morrer, o
deixasse mais seguro, mais confiante.
-
É uma habilidade nata. Como percebeste, eu não sou do mesmo mundo que você. Há um
ano meu mundo colapsou-se com o seu, foi quando conheci os Andaluzes, um
animal, uma planta e um de trevas, batalhei contra eles pelo território em seu
mundo, o que claramente agora pertence ao meu. Eu estava subindo para o reino
das fadas que fugiram de outro mundo ao qual eu pertencia, e deparei com o
protetorado, um Cavaleiro Divino não me permitiu prosseguir, e fiquei sem
respostas.
Eu
estava perplexo novamente, nunca havia acreditado nas histórias do meu avô
sobre as dimensões. E agora eu estava presenciando seres dessas dimensões, e
não imaginava que eles fossem diferentes de nós. Quando eu escutava as
histórias, imaginava seres fantásticos, alados, ou parecidos com as fadas que
criaram nosso mundo.
-
E porque as fadas criaram Andaluz? – foi à primeira pergunta que me ocorreu. A origem
do mundo.
Ele
respirou profundo, tomou mais um gole de água, e sentou na cabeceira da cama.
-
Um mundo distante chamado Nord foi gravemente atacado pelas fadas, elas queriam
destruí-lo, elas também foram as que o construíram, mas pela decepção das
invasões que haviam ocorrido, elas tentaram destruir. Mas foram paradas por
diversos heróis. Quando se deram conta da barbaridade que estavam fazendo, elas
abandonaram a guerra e criaram três mundos para poder enganar os deuses, e
então nós invasores caímos nos primeiros dois mundos, e no terceiro que é o de
vocês ficou intacto pela invasão, então criaram vocês, os Andaluzes. Mas infelizmente
para elas, os mundos se colapsaram pelo grande deslocamento de energia, e todos
se tornaram um só.
Agora
foi meu turno de respirar profundamente. Era muita informação. Eu estava
detendo um conhecimento que ninguém em Andaluz possuía. E a minha curiosidade
só aumentava. Eu tinha muitas perguntas para fazer.
-
E como aprendeu a nossa língua? Qual o nome da sua raça? Aliás, qual é o seu
nome?
Ele
riu novamente, e eu já estava acostumando a aquele sorriso.
-
Para começar, me chamo Minos Sclaterkini. Sou de Familia Imortal do Mundo Nord
e fui mandado para colonizar um dos mundos. Com o advento da colonização eu
conheci os Andaluzes há um ano e com eles comecei a praticar e então aprendi
suas línguas. Eu sou de raça Humana. Como vocês tem traços parecidos com os nossos
então os chamados de Humanoides.
Decidi
que não poderia ponha-lo cativo em meu reino, queria cultivar a amizade, ter alguém
imortal como ele como aliado aumentaria meu prestigio entre meu povo e entre os
outros que são submissos ao Império.
-
Eu gostaria de conhecer seu reino, Minos. – falei tentando parecer amigável.
Minos
então levantou, agora parecia inteiramente recuperado e disposto. Mais uma vez
explanou seu sorriso e disse:
-
Com certeza. Você irá surpreender-se com meu reino, de todos que eu conheci; nenhum,
nem mesmo o seu se assemelha ao que eu construí.
-
Então vamos ver. – Disse expressando minha animosidade.
Então
organizei minhas coisas novamente e sai do reino com meu mais novo amigo, o
Humano, Minos Sclaterkini.

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