sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Capitulo 6 – O Trajeto

- Estamos muito longe do Castelo Ludjimasi. – Disse Carig. – Precisamos acelerar o transporte.
Ficamos um tempo pensando em como fazer. Até que lembrei que Clarisse poderia acelerar. Então a chamei.
- Clarisse? – Ela então abriu os olhos. – Fortaleça a magia dele, como você fez quando ajudamos lá embaixo.
- Ajudar a Carig. – Ela sorriu.                                 
- Não se trata de ajudar a ele. – Intrometeu Michele. – Se trata de ajudar a todos nós.
Foi assim que ela se aproximou de Carig que por algum momento eu pude sentir que ele gostou. Ela estendeu os braços e utilizou o poder da fé dando mais velocidade ao transporte, dobrando para ser mais preciso.
- Logo teremos que atravessar o mar. – Completou Carig.
- No lugar que estamos existem deuses menores pouco conhecidos no nosso mundo. Existe um vasto território que não é coberto pelos imortais. Ao extremo Norte está o Castelo Sclaterkini, e ao extremo sudeste o Castelo Ludjimasi e o restante das faixas são cobertas por reinos e deuses desconhecidos. Temos que ter cuidado. – Disse Michele.
- Bobagem. – Retrucou Lívia. – Estaríamos preocupados se eles de verdade representassem perigo, mas se nunca nem se atreveram a enfrentar os Imortais é porque não possuem poder pra isso.
Fizemos silencio e nos tornamos pensativos, cada um tinha sua opinião sobre tal assunto, mas não era válido expressá-los. Ao todo existem 193 reinos, como líderes existem Imortais, Divinos, Elementais e outros seres. Estando com Lívia e Carig, é difícil que alguma coisa possa nos acontecer.
As pessoas na superfície possuíam características distintas, alguns humanos com traços diferenciados, mas outras raças também povoam essa região, na Terra seria equivalente a Ásia. Até que um tempo depois chegamos na Índia, um tipo de energia diferente estava aqui, mais pura. Animais mágicos e energia divina diferente das convencionais do Kenn.
De longe já avistávamos o céu sobre o Castelo Ludjimasi, e era denso, a energia muito parecida ao cosmo emanado por Clarisse se podia ver no céu.
- Eles já estão aqui. – Disse Aysha.
- Os com o gene Ludjimasi? – Perguntei com temor.
- Como nunca soubemos de Ludjimasi em outro planeta? – Perguntou Lívia atônita. – Sabemos que em Lussufuri existe Gions e Uarol, mas Cosmódia.
- Olhe o cosmo Lívia. – Disse Carig. – É negro!
Eu não entendi a referência, sou novato em Nord.
- Só pode nos dizer se tratar de três raças. – Completou Aysha – Nephalins, Spectro ou Anjo.
- E sendo uma dessas três raças, pode nos aplastar facilmente. Temos que torcer que seja um Nephalins, pelo menos é o mais fraco dos três. – Disse Michele.
- Mas vocês se esquecem de outra coisa. – Disse Lívia. – São muito medrosos. E daí que possuem o Cosmo Negro. Eu e Carig possuímos o Cosmo Divino que é muito mais poderoso que o cosmo dele.
- Sinta melhor Lívia. – Disse Clarisse. – Posso possuir o mais fraco dos cosmos, mas ainda assim consigo sentir, o cosmo negro dele é muito poderoso. Já te vi com o divino ativado assim como o Carig, não se compara a esse poder.
- Talvez não agora sua insolente. – Disse Lívia perdendo a paciência. – Mas desenvolverei meu cosmo e ele não será palio para nenhum cosmo negro conhecido, nem mesmo para um Adhji.
Era um tipo de conversa que eu não poderia me meter, sou um mero guerreiro, não entendo nada de magias ou poderes universais, muito menos sabia da existência de famílias divinas e imortais. O melhor que eu faço é escutar e aprender.
Já no extremo sul da Índia avistamos o oceano índico que estava muito agitado, com ondas enormes e seguidas. Era impossível não ver a face de temor que nos rodeava. De todas as histórias de heróis deste mundo que escutei quando estava na preparatória para ser lutador, todas elas contavam com várias batalhas de experiências, com a facilidade de hoje em dia em transporte e um mundo com mais paz, não lutamos muito e sabemos que não estamos preparados para enfrentar invasores. Mas como Michele sempre diz: seremos capacitados. E assim eu espero.
Que energia era essa, à medida que nos aproximávamos sentimos que estávamos perto de uma barreira, leve, mas que poderia a qualquer momento solidificar
- Não é uma missão para nosso porte. – Confessou Aysha. – Não há nada que possamos fazer.
Clarisse continua quieta em suas orações, concentrada na aceleração da magia transporte do Carig.
- Temos que fazer um plano. – Disse Michele. – Olhe o Nay? – Ela apontou para seu pet. – Está desesperado.
- Onde está Yan ou Judá Adhji? – Reclamou Lívia. – É a mesma energia, eles deveriam estar aqui.
O desespero tomava conta de nós, antes balbuciávamos coragem por não conhecíamos esse poder. Agora tão próximo, perdíamos a fala diante daquele poder.
- E eu me equivoquei. – Disse Aysha. – Apenas um Ludjimasi Cosmodiano está aqui. Dois outros seres que adentraram a atmosfera de Nord não estão presentes no castelo.
Os animais marinhos estavam alvoroçados pelo turbilhão daquela energia. Eu pensava nas raças humanoides aquáticas que por ali viviam, Star, Sarpain, e etc.
- Carig, Clarisse? – Chamou Lívia. – Teremos que sacrificar parte das nossas vidas para inflamar nosso cosmo. Vai ser nossa única saída neste momento.
- Inflamar? – Perguntei a Michele.
- Eles perdem parte da força vital deles e duplicam seus poderes cósmicos. – Me respondeu.
- Calma. – Decidi intervir. – Vocês estão tratando ele como se fosse um inimigo. Ainda não sabemos o que ele quer aqui.
Aysha então se pronunciou.
- Meu caro Eduardo. Os Ludjimasi estão aterrorizados.
- Talvez porque assim como nós não conheciam tamanho poder.
- Já faz dias que eles estão assim, desde que eu surgi para vocês. Se fosse algo amistoso, esse sentimento já deveria ter desaparecido. Não acha?
Fiquei com aquela dúvida, mas sabia que algo não estava certo.
Logo entramos no Reino Ludjimasi.
- O Castelo está muito próximo. – Disse Carig.
- Para não chamar atenção. Talvez devamos desfazer sua magia e entrar por terra. – Disse Aysha.

E assim fizemos, caminhamos lentamente para entrada do castelo. E para nossa surpresa, não havia guardas. Beirando as entradas fomos meio que camuflados pelo poder de fé de Clarisse para alcançar o salão onde toda aquela energia emanava.

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