segunda-feira, 4 de abril de 2016

Visitas inesperadas

Nord, Reino da Africa

Acordei muito desorientado próximo a um lugar árido, e estava sem meu grupo, não o que terá feito os Maias depois de eu ter perdido a batalha, e agora eu não sabia o que fazer, acreditei ter um poder incrível para derrotar todos e subjuga-los na nova ordem mais foi em vão, acabei desvanecendo e olha onde estou, completamente perdido.
Deixei meu cosmo aceso para espantar qualquer predador e sai sem rumo em busca de alguma civilização. Mas só via a aridez e coelhos e lagartos que corriam ante minha presença, elevei algumas orações para ver se Kadhji me escutava, mas não estava obtendo respostas, comecei a pensar que eu talvez estivesse equivocado nos meus propósitos, e então me lembrei de que Kadhji nunca se equivoca.
Pensei em Israel e de como deveriam estar protegidos e prósperos e isso bastou para eu entender que estava no caminho certo, só precisa saber como voltar. Então fiz algo que ainda não havia testado, comecei a levitar, lembrei-me de Kael e senti que eu poderia, logo pulsei o ar ao meu redor e então pude voar e isso aumentou minha velocidade de deslocação e pronto encontraria um lugar.
O solo seco passava muito rápido, e nem um animal notava a minha presença, pronto pude ver traços de civilização, e pessoas de porte alto, pele negra e desenhos sobre o corpo, percebi que estava numa civilização pagã, envolta de deuses alheios, e que talvez meu destino ainda não fosse enfrentar os Maias, mas treinar para fortalecer-me.
Quando desci na cidade, do alto, com o sol detrás de mim, todos me olharam como se eu fosse um deus. Logo queimei meu cosmo negro e fui descendo bem devagar. Não sei o que estariam pensando, mas sei que eles podiam sentir a densidade do meu poder e quando pousei muitos se afastaram para trás sem entender.
Eis que veio um senhor, parecia muito velho e talvez fosse o líder da comunidade.
- Verstaan ons taal? – Disse o senhor e eu não pude entender.
- Não entendo a língua de vocês. – Disse a eles alto, para ver se alguém entendia. Ele então pegou um pouco de terra perto dos meus pés e passou na língua, e então começou a falar no meu idioma.
- Eres um deus?
- Sou o filho de um, disse agarrando-me ao que diziam os Maias.
Então todos se ajoelharam.
- E qual é o seu desejo senhor?
Foi assim que encontrei a oportunidade de difundir a nossa religião.
- Vocês devem acreditar somente em um deus. Kadhji, isso vim ensiná-los. – E antes que eu continuasse do céu desceu outro ser, todo metalizado, com asas cibernéticas e o corpo esguio e cumprido.
- Olá Judá. Sou eu, Julian.
- Julian. Quanto tempo? Novas notícias?
- Judá. Preciso alerta-lo, o que você está fazendo não é correto. Kadhji quer alguém que tenha a função de expandir, não de tiranizar. Entende o que quero dizer?
- O que eu estou fazendo não é tirania, estou querendo fundar uma religião universal, que creia em Kadhji, estou expandindo-a!
- Mas a que custo? – Me questionou Julian. – A morte de algumas pessoas, a escravizações e dominações de cidades? Tem certeza que acha isso correto?
Pensei um pouco e conclui.
- São efeitos colaterais. Eu sei que você é um enviado de Kadhji, ou assim se apresentou a mim. Mas sinceramente começo a duvidar de suas verdadeiras intenções.
Julian arfou. – Você acredita que eu viria de Cosmódia a Nord para dizer uma inverdade? Consegue ver o quão doente você está Judá? Permita-me ajuda-lo. Eu te levarei de volta a Israel.
Eu olhei ao redor e vi toda aquela gente pagã, adoradores de outros deuses e não poderia deixa-los sem conhecer a verdade.
- Não posso sair daqui sem meu propósito, Kadhji me trouxe até aqui Julian. Retorne a Cosmódia e fale pessoalmente, tenho certeza que ele te esclarecerá.
- Não tenho poder suficiente para pará-lo Judá. Se não com certeza eu faria. E tão pouco irei interferir no seu livre arbítrio. Mas saiba que isso trará consequências, e não sei se você gostará do resultado.
Logo Julian desapareceu e eu vi o medo nos olhos de todos os moradores daquele Reino, que mais tarde me diriam chamar África. Não dei tempo para o líder falar algo, eu paralisei todos com o meu cosmo embutido em meus poderes internos e os pus a um lado. Uma densa energia se pode sentir no céu estrelado, provavelmente os deuses deles não gostaram do que aconteceu. Então após a demonstração de poder desparalisei a todos e mantive uma conversa com o líder que pronto resolveu auxiliar-me, esta noite eu passarei aqui.
No meio da noite outra visita se acercou. Um ser raro que parecia humano, a cor negra como a pedra Ônix e os olhos dourados, e também possuía asas negras e uma gema dourada no alto da testa.
- O que é você? – Perguntei assustado, pensei se tratar de um anjo da morte de Kadhji.
O ser parecia me olhar de dentro para fora e parecia conhecer meus pensamentos, me dava muito mais medo que Julian.
- Sou Toni Drew, sou um Ick e presenciei sua cruzada. Mas acredito que você está deturpando seus propósitos.
- Você também com a mesma conversa. Também é um enviado de Kadhji.
- Não posso dizer. Parece que você teve problemas quando te revelações de nomes. Mas vim em paz e para ajuda-lo. Muito me aprecia a sua vontade de conquista e sua força de vontade em concretizar seus propósitos. Mas o está fazendo em vilas que não te darão o retorno que você almeja.
- Entendo. Mas já tentei contra a família Maia e não pude. – Falei pesaroso.
- Acontece que você fez sozinho e contra membros que estão lá há séculos, Kael, com quem tu lutaste é muito velho, é normal conhecer técnicas que o fizeram cair. O que te falta Judá, é unir-te a alguém tão poderoso quanto você. Nem todo imortal está de acordo com o que vive.
- E o que você me aconselha? Unir a esses hereges?
- Eles não seriam mais hereges, se passassem a acreditar. Convença-os. Venha comigo, eu te levarei para um lugar mais próximo.

Então eu o segui, na esperança de que com ele eu estaria no caminho certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário