Saímos
da estalagem e o homem não falava uma palavra sequer, fomos caminhando no meio
do nada e aos poucos era como se cada passo nos levasse para mais perto da
comunidade. Um Reino cada vez mais enorme, com um castelo alto e frondoso,
diversas casas, um reino realmente movimentado, possuía o aspecto da idade
media na Terra, mas com uma tecnologia mais avançada.
O
mago ainda continuava calado, e logo me levou a sua casa, no centro do tal
reino, uma casa enorme feita com pedras e recheada de poções espalhadas pelas
superfícies do recinto. Enquanto caminhávamos para sua casa éramos abordados
por vendedores na cidade que diziam: “Esse é o melhor produto de toda Cyntaf”.
Outros, porém evitavam olhar o mago, e cada vez mais fui me dando conta de que
ele não possuía uma boa fama.
Quando
nos estabelecemos numa suposta sala, o mago sentou-se e fez uma menção para que
eu também sentasse. Ele fechou a mão direita e a balançou, logo saiu uma fumaça
roxa entre seus dedos. Quando a abriu possuía um anel.
-
Olá viajante! Nunca havia encontrado alguém de sua espécie no meu reino, quiçá
não pensava que existia em toda Kharin.
-
Finalmente disseste uma palavra. Tive medo de que não pudesse falar.
Ele
gargalhou. – Sua audácia me impressiona, estou seguro de que não sabe com quem
está falando.
Eu
fechei o rosto em serenidade, não queria transparecer que estava eu apavorado.
-
Se fosse me destruir, já o teria feito.
-
Exatamente. Não quero destruí-lo Eder. – Meu rosto se contorceu, não estava
esperando que ele soubesse meu nome. – Na verdade, preciso de você, como é um
ser que Kharin não esta acostumado, todo mundo irá temer o meu reinado,
principalmente aqueles magos brancos.
-
Se sabe quem eu sou também sabe de minhas fraquezas, e quando os humanos
descobrem nossa fraqueza, deixamos de ser tão temidos.
Ele
sorriu e franziu o seno. Logo pôs o anel nos meus dedos.
-
Esse anel Eder, te fará caminhar durante o dia, o sol já não será um problema,
e então caminhará entre os vivos e juntos faremos a vingança que eu tanto
anseio.
-
Digamos que eu aceite fazer parte, até porque, não vejo que haja uma escolha. E
o anel muito me interessou. Mas existe outro ponto que eu gostaria de
salientar. Eu vim a este mundo pela minha irmã, uma poderosa bruxa que assim
como eu já atravessou um século de vida.
Ele
levantou, e seu sobretudo fez um barulho quando as dobras se desfaziam, com as
pontas dos dedos passou pelo queixo e logo voltou sua atenção a mim novamente.
-
Entendo o que propõe, assim que se te ajudo a salvar sua irmã, faremos minha
vingança?
-
Exatamente isso. Você já esperou tanto pela sua vingança, esperar só uns dias
mais para que possamos recuperar minha irmã não será um problema.
-
E onde está sua irmã? – Ele perguntou enfático.
Eu
abaixei a cabeça e toquei meu rosto.
-
Eu não sei onde ela está. Ela desapareceu de meu mundo sem nenhuma explicação e
quando uma amiga ativou o feitiço de localização, aqui foi o lugar onde surgiu.
-
Entendo. – Ele então levantou e agarrou uns livros. – Podemos buscar com outro
feitiço de localização, mas as coisas em meu mundo são diferentes,
necessitaremos de uns dois dias para a produção. Enquanto isso eu irei contar
minha história.
Tresbadom
voltou a sentar e começou a ladainha do porque de sua vingança, e era mais ou
menos assim:
“Houve
um tempo que me obcequei pelo conhecimento, fui atrás de livros mágicos
secretos da escuridão, e cada vez mais eu fui afundando mais nesses livros
malditos, me fui contaminando pela maldade, pela conjuração de demônios, tanto
que esta se tornou minha especialidade. Também aprendi a fazer tormentos
psíquicos, poderes desse patamar causam muito alvoroço em Kharin. Um dia minha
esposa me traiu com um mago branco, eu também fazia parte da ordem dos magos
brancos de Cyntaf. Este mago sabia que minha esposa possuía uma aversão a magos
negros, pelo ato de que seus pais foram mortos por um. Então ele fez com que
ela enxergasse essa luta pelo meu conhecimento das trevas, e atordoada correu
para os braços dela. Quando eu soube do acontecido, foi a primeira vez que eu
conjurei forças negras para me auxiliar na batalha, mas mesmo assim os magos
brancos puderam me derrotar e me exilaram da ordem, desde então eu tento manter
os demônios o máximo que eu consigo neste mundo para causar tormento no reino
de Cyntaf, principalmente a minha ex-esposa, mas nunca é tempo suficiente. Agora
que você está aqui, um ser praticamente criado para se alimentar dos que estão
vivos, um predador, eu finalmente poderei ter minha vingança. Eu aprendi a
sugar a energia dos demônios que eu conjuro, e desde então a ordem começou a me
temer.”
Eu
respirei um pouco para tentar absorver essa história ridícula. Como o orgulho
era capaz de segar um ser humano. Porque não abandonar a esposa de uma vez, por
honra? Por favor, faça este graça a si mesmo, contente com o grande poder que
você angariou longe dessa infame.
-
Eder? – Ele reparou que eu estava contido em meus próprios pensamentos. – O que
você acha?
Respirei
profundamente antes de responder.
-
Eu acho uma bobagem, mas é a sua vingança, e você tem o direito de vivenciá-la,
e é claro que eu te ajudarei, mas você precisa saber que eu tenho o poder de
transformar outras pessoas em criaturas como eu, mas não possuo o poder de controlá-las.
Ele
levantou novamente e sorriu.
-
Imperium Lamia!
Logo
ele me estava controlando, todas as minhas ações, era mais poderoso que a
própria hipnose que alguns vampiros podem produzir.
-
Entende agora do que eu estou falando? – Ele então se gargalhou.
Eu
estava perplexo e aturdido.
-
Tens razão Tresbadom, agora entendo porque todos o temem. E tenho certeza que
você pode me ajudar a localizar minha irmã.
Ele
cerrou as mãos outra vez e chacoalhou, então surgiu mais uma fumaça, e quando
abriu as mãos, lá estava um papel. Ele o ergueu e então leu em voz alta.
-
Toni Drew! – Ele franziu o seno. – Este é o nome do mago que tem posse de sua
irmã.
-
Mas você me disse que precisaríamos de dois dias. – Eu revidei suas mentiras.
-
Eu somente o testava Eder. Agora sei que esta em minha causa.
Tresbadom
levantou-se e nos serviu um chá.
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